Onibusca
Homem busca
amparo no transporte
a cadeira no lombo
rodas no asfalto
móvel pelas ruelas
cidadão crédulo
sem eira nem sobreira
que, onipresente,
ascende ladeira
a bordo, sem abordar
nada
porque esvaziou
com o tempo
a vontade de ser carregado
neste coletivo de onipresenças
Críticas de literatura (textos) e cinema (telona) e também de teatro e música, quando necessário. Artes visuais somente para fruição. Alguma entrevista mais especial também terá vez.
quinta-feira, janeiro 22, 2009
Ônibus do Tempo

Ônibus do tempo
Põe o mar de gente
à espreita do falho poema
que se desloca lúcido pelo ônibus do tempo
Na cidade do vento
a catraca cobra justo a brisa
que é o vale-transporte
do silêncio pela erosão dos séculos
Poltronas alheias à vida
dúvida de minutos
Paradas com seres àvidos
Embarcando nas brechas do calendário
Amnesiestesiadas e transportáteis
Luiz Gonzaga Lopes
Ombros Largos

Ombros largos (2ª versão)
Coube-me a tarefa de adoecer o verbo
até confessar minhas entranhas
Não entorpeci a semente,
apenas a distraí de mim
Nesta posse longínqua em que
proliferam as palavras com adubo,
enquanto nego carícias
com minha mão cega
*
Nesta idade apenas carrego sombras
enlouqueço os pronomes em busca de par
Deixo a tampa aberta do sonho, sem olhar
Para o destempero da boca aleatória
Sobrevive a mim, a calma,
Seca superfície da alma
*
Quando há cisco no meu tombo,
enrijecem grilhões em meus ombros
Obra súdita, esta de apaziguar o cílio
No suplicante piscar da falta
ardem as cachoeiras da troca,
quando um pombal arrulha no peito
e sorrisos são distribuídos borbulha
Com frescor de sombra
*
Não degrado a ausência com perguntas
Inconsciente a esmolar à memória
Nuvens de esquecimento pousadas no umbral
Ombro que me ampara
na vulcânica vida que lava e seca
a perda
Língua na nuca do infinito
Luiz Gonzaga Lopes
Poema é fenda
Um poema é uma fenda
Abre os poros do tempo
Quando me vejo pássaro
Asas saem da minha orelha
e o poema insiste
Mansinho como brisa
em me tentar
Se insinua pelos dedos
Anseia por teclados,
mas encontra a caneta
Poema é fenda
que se fecha
quando cai
na página limpa
bordada a nanquim
Se os anjos matassem
Atirariam em mim
mas não acertariam
Como é doce a tinta
do sangue
Quem adoça o poema
Não tem diabetes de ser
Humaniza e saboreia
A fenda sumiu
Jorrou uma letra
Meu tempo acabou
Abre os poros do tempo
Quando me vejo pássaro
Asas saem da minha orelha
e o poema insiste
Mansinho como brisa
em me tentar
Se insinua pelos dedos
Anseia por teclados,
mas encontra a caneta
Poema é fenda
que se fecha
quando cai
na página limpa
bordada a nanquim
Se os anjos matassem
Atirariam em mim
mas não acertariam
Como é doce a tinta
do sangue
Quem adoça o poema
Não tem diabetes de ser
Humaniza e saboreia
A fenda sumiu
Jorrou uma letra
Meu tempo acabou
sexta-feira, janeiro 09, 2009
NOITE ALTA

A noite já se faz alta e Bordelino espreita por entre as coxias. Ele não quer entrar em cena. Diz que este narrador não pode expor as suas intimidades, os seus passeios pela noite de Porto Alegre. Aquelas voltas de carro pela Farrapos às 5h da manhã. Ele se revolta. Olha para o narrador, que olha para mim e pergunta: E agora?
Respondo: Vamos ter que adiar um pouco a estréia de Bordelino no blog.
Bordelino dá um sorrisinho de soslaio, nos observa com cara e jeito de vencedor e desde as escadas calmamente. O narrador e eu nos olhamos com caras tristes, mas ficamos contentes, pois ambos estamos com sono.
quarta-feira, janeiro 07, 2009
NOITES
Noites de Verão
Assim quentes
intensas
distópicas
Suando sempre
Cervejosas
No bar
Sacripancas
Lembrando todos
de que o livre
tem privilégios
sobre o rude
What night
Enlightness
Unforgetable
Assim quentes
intensas
distópicas
Suando sempre
Cervejosas
No bar
Sacripancas
Lembrando todos
de que o livre
tem privilégios
sobre o rude
What night
Enlightness
Unforgetable
segunda-feira, janeiro 05, 2009
Quantas vidas precisamos?

Amigos leitores
Após três meses longe desta comunicação blogueira tão necessária, estou de volta para uma minirreforma no meu acordo ortográfico com a virtualidade. Como o TextosTelona do título do blog, as duas coisas que mais me motivam a escrever aqui são a literatura e o cinema, além da vida que é a matéria-prima das duas anteriores. Num domingo metade chuvoso, metade nublado com nacos de sol, botei os pés para fora de casa, deixei-os pisar o chão de um ônibus e num movimento de 20 minutos já estava às portas do Unibanco Arteplex para me estarrecer diante da tela grande.
Desta feita, o que tive diante de meus olhos foi o novo filme de Gabriele Muccino, "Sete Vidas" (Seven Pounds). Na sua segunda parceria com Will Smith, ator que vem levando a carreira de forma equilibrada, um blockbuster e um filme de sensibilidade.
Neste, o filme de sensibilidade, Smith é um homem que perdeu o sentido da vida, quando provoca o acidente que mata a mulher. Então, ele cria uma teia humanitária, de ser anjo da guarda e de escolher pessoas em dificuldades para lhes dar o que é mais precioso, o retorno a uma vida saudável, seja financeira ou de saúde, escolhendo pessoas cujos órgãos não funcionam bem e que estão na fila de transplantes ou doadores.
A figura do anjo está um pouco em desuso, apesar da literatura especializada tentar dar um impulso a esta barroca figura. Por que não somos mais anjos? Quantas vidas precisamos para entender que muito precisa ser feito. Gabriele Muccino já tinha entendido muito bem estas coisas, quando filmou À Procura da Felicidade, há dois anos, com Will Smith protagonizando o cara que rala para criar o filho e recebe uma chance de trabalhar como corretor de valores pela sua habilidade com números.
Os anjos modernos sofrem, quebram suas asas, se desnudam, já não são mais barrocos, mas com certeza Gabriele Muccino conseguiu descobrir que o sexo dos anjos é o coração ou algum outro órgão vital para o corpo e para a alma.
Após o cinema, fui na Livraria Cultura e comprei um livro com dois textos inéditos (para mim) de Samuel Beckett, que serão assunto para um novo post.
Abraços nos homens
Beijo nas mulheres
Nos próximos dias, deve aparecer neste blog um personagem criado recentemente e que vai contar um pouco do lado underground de Porto Alegre. Bordelino é o nome dele.
Agora vou. Fui.
domingo, setembro 28, 2008
Parem!!!!!
A ordem de parada é destinada a tortura da campanha política. Hoje, tentei dar uma volta no Brique da Redenção, mas os jingles de candidatos nos carros de som passavam de 100 decibéis ou a sensação era essa. Não obstante isto, as insistências de santinhos para quem já tem candidato e não quer mudar o voto. Gostaria que o dinheiro aplicado em campanhas políticas tivesse um percentual de investimento de 20% nos problemas mais urgentes das cidades. Parem, por favor. Divulguem seus candidatos sem agredir o meio-ambiente e os meus tímpanos. Façam uma campanha mais limpa ou então larguem este osso, porque ninguém agüenta mais esta poluição visual e sonora. E que vença o melhor!
terça-feira, setembro 23, 2008
Entrevista com Eimuntas Nekrosius, diretor de Fausto

Esta entrevista foi feita por e-mail com o diretor lituano Eimuntas Nekrosius e publicada parcialmente na edição de domingo, 14, do jornal Correio do Povo. Nekrosius é diretor de Fausto, uma das cinco atrações européias do 15º Porto Alegre Em Cena, festival que terminou agora há pouco no Theatro São Pedro, com a escolha do 3º Braskem em Cena, com três prêmios para A Comédia dos Erros, do Studio Stravaganza (melhor espetáculo, melhor diretor para Adriane Motolla) e melhor ator (Carlos Alexandre). Heinz Limaverde e Sandra Possani, de A Megera Domada, foram respectivamente melhores ator e atriz. Heinz dividiu o prêmio com Carlos Alexandre. O Oigalê levou o júri popular com o espetáculo Miséria Servidor de Dois Estancieiros.
Acompanhe agora a entrevista com Nekrosius feita em inglês na semana passada
Luiz Gonzaga Lopes
1. We know Eimuntas Nekrosius was defined "a some kind of genious" by Arthur Miller when he visited Vilnius. Why he say this expression? Make some sense?
Miller visited Vilnius some 30 years ago or more. It was important visit for our theater, as his words said after he saw our performances played at that time opened the world for our theater. We started tour the world opening new festivals and countries with each year. I think just the time could define what is good in the arts, though in case of theater... I don‘t know if it‘s possible at all. Other arts are more powerfull and longlife – literature, paintings...
2. How are the main charateristics of this play "Fausto"?
In this performances we tryed with actors to go deep into the soul, thoughts of the man. The Man, doctor Faust, who is searching all his live, trying to find an answers to the questions that never leaves him quite. What is the world? Who is man in this life? What is the reason of human beeing? Even Goethe in his poem doesn‘t give any answers to these questions. So, we also don‘t give any recepies what is right or not. But for me was interesting to exame the beauty of the process of the research it self. As long as the man is acting, searching for the answers – he is alive and reasonable. When he stops – he dies.
3. Our people is specially connected with your two other plays presented in Porto Alegre - Hamlet e Othelo. Say us if it seems like that plays in estetic e language therms.
I don‘t follow any school of theater and also don‘t have my own fixed system of the work in the theater. Choosing the literature base for the new performance I look for the specific, unique theatrical language, that allows to speak and recover the main ideas of the drama in the most free way. Copearing with Shakespeare dramas Faust, may be, is more ascethic. In Othello and Hamlet we had castles, armies, ships, etc. Here we have Faust‘s study, Grethen‘s room, the cavern, jail... So, the main and most important „events“ happen inside of the Faust. Though of course these are all my performances, some actors are the same and I never run out of my self.
4. Could you talk about this trilogy.
Actually what was called by theater critics as a Trilogy is Hamlet, Macbeth and Othello, but I had no plans to create a Trilogy. Somehow it happened. I don‘t have a kind of long term plans what to stage next 5 or 10 years. Just finishing one show start to think what do to next.
5. How about your career and about your way of direct plays.
I said already, that I don‘t have any specific system. Just try to read the literature very carefully and understand what the author wanted to say and what could be interesting and actual for the modern people. Then we go to the rehearsals and try if it works or not.
6. Do you know Brazilian plays nowadays?
I‘m sorry, but I really don‘t know Brazilian theater well. It would be not honest to make any comments.
7. Tell us your concern or comments about Porto Alegre em Cena.
I have never been at the festival myself. But from the words of my actors I could understand that it‘s really great event, one of the most important that we had visited in South America. And of course always looking to the program of the festival, to the number of the theaters presented... it‘s very impressive. So each time having an opportunity to join the program of the festival we are happy to do it.
segunda-feira, julho 21, 2008
DREXLER

Leitores blogados
Estou meio sem palavras, mas abro uma exceção para falar das 2h20min que passei ouvindo canções quase intangíveis de Jorge Drexler. O uruguaio é um espetáculo, junto com os seus dois músicos-técnicos de som e mais a participação do Vitor Ramil. Junto com o satolepense, Drexler tocou e cantou três músicas, inclusive 12 segundos de oscuridad. Rolou Mi Guitarra y Vos, Deseo, Hermana Duda, La vida es mas compleja que parece e outras mais. O Teatro do Bourbon Country palpitou de emoção dos ávidos fãs (Lugar comum paca). Eu falei que estava sem palavras (adequadas). Bom, mas está começando o Festival de Inverno. O terceiro. O blog vai renascer das cinzas. Voltaremos, como diz aquele gourmet muito mais conhecido do que eu (apesar de ser anonymous)
Abraço.
quinta-feira, março 06, 2008
O poderoso chefão na versão negra
Considerado por alguns como uma versão mais atualizada de O Poderoso Chefão, O Gângster (American Gangster), dirigido por Ridley Scott (Blade Runner), recria a história real da trajetória de Frank Lucas, o mais famoso e impedioso negro da máfia do bairro do Harlem, em Nova York. Vivido pelo especialista em filmes de ação, o oscarizado Denzel Washington (Dia de Treinamento), Lucas era o motorista, segurança e cobrador do bondoso mafioso Bumpy Johnson. Quando este morre, ele decide empregar novos métodos para traficar heroína, a droga do momento no final dos anos 60. Para isso, decide comprar direto do Sudeste Asiático, pela via de militares que estão combatendo no Vietnã.
Inspirado nas grandes redes de lojas, o traficante consegue um produto com maior pureza e mais barato, o Blue Magic e constrói um império, intimidando aqueles que o intimidavam, fazendo com que a máfia italiana trabalhasse para ele, como é o caso de Dominic Cattano (Armand Assante, de Os Reis do Mambo). Como para cada veneno há um antídoto, o policial honesto Richie Roberts (Russel Crowe) de New Jersey cria um esquadrão especial anti-drogas atrás dos principais traficantes e acaba chegando em Frank Lucas e também na corrupção da polícia de Nova York, que acaba se apropriando da droga ou recebendo propina dos traficantes. Roberts acabou virando advogado de Lucas e os dois foram consultores da produção.
A direção de Ridley Scott acaba garantindo uma construção sólida, auxiliada pelo roteiro de Steve Zaillian (A Lista de Schindler), fazendo com que a narrativa detalhe os perfis de Lucas e Roberts até que eles se encontrem. No elenco estão ainda Cuba Gooding Jr., Josh Brolin, Ted Levine e Ruby Dee, indicada ao Oscar de melhor atriz coadjuvante.
Inspirado nas grandes redes de lojas, o traficante consegue um produto com maior pureza e mais barato, o Blue Magic e constrói um império, intimidando aqueles que o intimidavam, fazendo com que a máfia italiana trabalhasse para ele, como é o caso de Dominic Cattano (Armand Assante, de Os Reis do Mambo). Como para cada veneno há um antídoto, o policial honesto Richie Roberts (Russel Crowe) de New Jersey cria um esquadrão especial anti-drogas atrás dos principais traficantes e acaba chegando em Frank Lucas e também na corrupção da polícia de Nova York, que acaba se apropriando da droga ou recebendo propina dos traficantes. Roberts acabou virando advogado de Lucas e os dois foram consultores da produção.
A direção de Ridley Scott acaba garantindo uma construção sólida, auxiliada pelo roteiro de Steve Zaillian (A Lista de Schindler), fazendo com que a narrativa detalhe os perfis de Lucas e Roberts até que eles se encontrem. No elenco estão ainda Cuba Gooding Jr., Josh Brolin, Ted Levine e Ruby Dee, indicada ao Oscar de melhor atriz coadjuvante.
O metal que nunca apaga
Iron Maiden leva…
os fãs ao êxtase…
…
O show do Iron Maiden, o segundo da história em Porto Alegre (o primeiro foi em 1992), deixou 15 mil pessoas em condição de êxtase, após 1h50 de show num Gigantinho superlotado e abafado, na noite de quarta-feira. A banda inglesa, que completa 30 anos de estrada em 2009, deixou os fãs com a certeza que o metal do Iron Maiden nunca se apaga. Após um show de abertura bem mais ou menos da filha do baixista Steve Harris, Lauren Harris, o Iron entrou no palco exatamente às 21 horas, com duas músicas do disco Powerslave - Aces High e Two Minutes to Midnight. O vocalista Bruce Dickinson corria de um lado para o outro no megacenário com tons egípcios da capa do disco de 1985, esbanjando energia para os seus 49 anos. É claro que os agudos mais difíceis passaram a ser feitos com a ajuda da platéia. …
Desfilando uma grande música atrás da outra, vieram a seguir Revelations, The Trooper, na qual empunha uma bandeira da Grã-Bretanha, Wasted Years e The Number of the Beast. No intervalo entre as músicas, Bruce teve tempo para brincar de falar ao celular com a sua mãe: ``estou tocando para 15 mil pessoas aqui em Porto Alegre, mãe!''. Seguiram-se Can I Play With Madness e Rhime of the Ancient Mariner. Nesta, o poema musicado de Samuel Taylor Coleridge com quase 14 minutos, teve um tratamento especial de luz púrpura e azul.…
Ao final de cada música, o público empolgadíssimo cantava Olê, Olê, Maiden, Maiden!. Fãs como o uruguaio de Montevidéu, Diego Russo, 23 anos, que toca guitarra, baixo e bateria em quatro bandas cover e viajou cerca de 900km para ver a sua banda preferida.…
Powerslave, Heaven Can Wait e Run to the Hills preparam o clima para Fear of the Dark, a música que mais teve coro na platéia, pois une duas gerações de fãs. Na música Iron Maiden, do disco homônimo de 1980, o gigante mascote Eddie entrou com roupa e pistola do disco Somewhere in Time, para o delírio do público. O bis foi econômico com Moonchild, The Clarvoyant e Hallowed Be Thy Name. O show terminou e os fãs foram para casa com a certeza de terem participado de um fato histórico. (Luiz Gonzaga Lopes)…
os fãs ao êxtase…
…
O show do Iron Maiden, o segundo da história em Porto Alegre (o primeiro foi em 1992), deixou 15 mil pessoas em condição de êxtase, após 1h50 de show num Gigantinho superlotado e abafado, na noite de quarta-feira. A banda inglesa, que completa 30 anos de estrada em 2009, deixou os fãs com a certeza que o metal do Iron Maiden nunca se apaga. Após um show de abertura bem mais ou menos da filha do baixista Steve Harris, Lauren Harris, o Iron entrou no palco exatamente às 21 horas, com duas músicas do disco Powerslave - Aces High e Two Minutes to Midnight. O vocalista Bruce Dickinson corria de um lado para o outro no megacenário com tons egípcios da capa do disco de 1985, esbanjando energia para os seus 49 anos. É claro que os agudos mais difíceis passaram a ser feitos com a ajuda da platéia. …
Desfilando uma grande música atrás da outra, vieram a seguir Revelations, The Trooper, na qual empunha uma bandeira da Grã-Bretanha, Wasted Years e The Number of the Beast. No intervalo entre as músicas, Bruce teve tempo para brincar de falar ao celular com a sua mãe: ``estou tocando para 15 mil pessoas aqui em Porto Alegre, mãe!''. Seguiram-se Can I Play With Madness e Rhime of the Ancient Mariner. Nesta, o poema musicado de Samuel Taylor Coleridge com quase 14 minutos, teve um tratamento especial de luz púrpura e azul.…
Ao final de cada música, o público empolgadíssimo cantava Olê, Olê, Maiden, Maiden!. Fãs como o uruguaio de Montevidéu, Diego Russo, 23 anos, que toca guitarra, baixo e bateria em quatro bandas cover e viajou cerca de 900km para ver a sua banda preferida.…
Powerslave, Heaven Can Wait e Run to the Hills preparam o clima para Fear of the Dark, a música que mais teve coro na platéia, pois une duas gerações de fãs. Na música Iron Maiden, do disco homônimo de 1980, o gigante mascote Eddie entrou com roupa e pistola do disco Somewhere in Time, para o delírio do público. O bis foi econômico com Moonchild, The Clarvoyant e Hallowed Be Thy Name. O show terminou e os fãs foram para casa com a certeza de terem participado de um fato histórico. (Luiz Gonzaga Lopes)…
A Donzela de Ferro arrebata os fãs
Iron Maiden leva…
os fãs ao êxtase…
…
O show do Iron Maiden, o segundo da história em Porto Alegre (o primeiro foi em 1992), deixou 15 mil pessoas em condição de êxtase, após 1h50 de show num Gigantinho superlotado e abafado, na noite de quarta-feira. A banda inglesa, que completa 30 anos de estrada em 2009, deixou os fãs com a certeza que o metal do Iron Maiden nunca se apaga. Após um show de abertura bem mais ou menos da filha do baixista Steve Harris, Lauren Harris, o Iron entrou no palco exatamente às 21 horas, com duas músicas do disco Powerslave - Aces High e Two Minutes to Midnight. O vocalista Bruce Dickinson corria de um lado para o outro no megacenário com tons egípcios da capa do disco de 1985, esbanjando energia para os seus 49 anos. É claro que os agudos mais difíceis passaram a ser feitos com a ajuda da platéia. …
Desfilando uma grande música atrás da outra, vieram a seguir Revelations, The Trooper, na qual empunha uma bandeira da Grã-Bretanha, Wasted Years e The Number of the Beast. No intervalo entre as músicas, Bruce teve tempo para brincar de falar ao celular com a sua mãe: ``estou tocando para 15 mil pessoas aqui em Porto Alegre, mãe!''. Seguiram-se Can I Play With Madness e Rhime of the Ancient Mariner. Nesta, o poema musicado de Samuel Taylor Coleridge com quase 14 minutos, teve um tratamento especial de luz púrpura e azul.…
Ao final de cada música, o público empolgadíssimo cantava Olê, Olê, Maiden, Maiden!. Fãs como o uruguaio de Montevidéu, Diego Russo, 23 anos, que toca guitarra, baixo e bateria em quatro bandas cover e viajou cerca de 900km para ver a sua banda preferida.…
Powerslave, Heaven Can Wait e Run to the Hills preparam o clima para Fear of the Dark, a música que mais teve coro na platéia, pois une duas gerações de fãs. Na música Iron Maiden, do disco homônimo de 1980, o gigante mascote Eddie entrou com roupa e pistola do disco Somewhere in Time, para o delírio do público. O bis foi econômico com Moonchild, The Clarvoyant e Hallowed Be Thy Name. O show terminou e os fãs foram para casa com a certeza de terem participado de um fato histórico. (Luiz Gonzaga Lopes)…
ENERGIA: o cinquentão Bruce Dickinson corria como um menino no palco do Gigantinho…
Wesley Santos/Divulgação…
domingo, dezembro 23, 2007
Davis contra Golias

Após a consagração silenciosa de Crash no Oscar, o roteirista e diretor Paul Haggis (autor do roteiro de Menina de Ouro, entre outros) passa a cavoucar as feridas da guerra mais recente envolvendo os norte-americanos, a do Iraque, no filme No Vale das Sombras (In the Valley of Elah). Utilizando excelentes metáforas como a cena em que o sargento reformado Hank Deerfeild (um cada vez mais econômico, porém não menos orgânico Tommy Lee Jones) ensina um salvadorenho a colocar a bandeira americana do jeito certo, pois de cabeça para baixo quer dizer que algo vai mal. E algo realmente vai mal na cabeça dos soldados que foram novamente para uma guerra sem sentido, tanto que em momento crucial do filme, Hank resolve reensinar o salvadorenho a colocar a bandeira de cabeça para baixo.
Nesta obra, Haggis baseia-se em relatos reais, construindo com Mark Boal a história de Hank (Jones), que é o pai do soldado Mike Deefeild, procurando as pistas de seu filho desaparecido. Para isso, vai até uma unidade de infantaria do Novo México investigar com os seus colegas de batalhão. Lá, as coisas tornam-se um pouco mais complicadas, pois o desaparecimento passa a se configurar no assassinato brutal que revolta Hank e sua esposa Joan (Susan Sarandon).
É na reconstrução da história com auxílio da detetive Emily Sanders (Charlize Theron) é que o filme ganha o fôlego necessário para se transformar numa obra densa, que questiona o pós-guerra (boa parte dos soldados voltam do Iraque com problemas de stress, drogados ou às voltas com o álcool, festas e prostituição). Se fosse só isso, nenhum problema, mas é que o verbo matar passa a ser conjugado de uma forma muito estranha e alguns códigos de guerra são quebrados, quando os itens são tortura de soldados iraquianos e morte pela morte.
Mike, o filho de Hank, não era nenhum santo e para se auto-afirmar na guerra passa a ter o “divertido” apelido de Doc, abreviatura de Doctor, o doutor que não opera, nem cura, mas comete algumas atrocidades como tortura. Haggis deixa claro que a sua crítica de guerra é o matar e o poder sobre a morte e as conseqüências sobre os envolvidos, como num interrogatório da detetive Emily (Theron).
O manto de bondade dos Estados Unidos da América caiu no final da Segunda Guerra Mundial. No filme de Haggis, com a fotografia mais áspera de Roger Deakins e a música de Mark Isham, fica evidente que os passos do bom cinema americano já estão deixando pegadas há muito tempo no solo de mocinhos do Tio Sam. A auto-crítica é uma das principais características do ser humano e também dos cineastas e dos artistas em geral. Bela obra de Paul Haggis, que se ergue como um dos grandes diretores autorais desta década, que novamente tem traços do recurso Magnólia/Crash, a música que integra partes do filme, que no caso é Lost, interpretada por Annie Lennox.
O lado fabular e moral da história do filme está no que seria o título original em inglês: No Vale de Elah, quando Hank não consegue contar uma história para o filho de Emily dormir, ele cita a clássica de Davi contra Golias, que derrubou o gigante com estilingue e pedras, no Vale de Elah, na Palestina. As pedras de Davi são as reestruturações das pessoas e das famílias envolvidas com as voltas dos soldados ou com as perdas dos seus filhos e como superar tudo isto numa guerra que vai matando aos poucos, por dentro, antes mesmo de uma granada ou um tiro de fuzil ecoar em solo iraquiano.
segunda-feira, dezembro 10, 2007
A morte do Ano

Ele estava terminando. O Ano estava se consumindo e nenhum remédio iria curá-lo. Da masmorra das suas memórias, conseguia lembrar de CPMF, do título do São Paulo, do desastroso primeiro ano governo Yeda Crusius, da Copa América, da violência urbana e outros pequenos estilhaços de uma existência pungente nas pessoas que nele viveram neste Brasil mais baixos do que altos. A gota letal seria de um lenitivo chamado Dezembro e que tinha como contra-indicações as Festas de Fim de Ano (uma espécie de velório antecipado) e o Natal (ah! esta cruel lembrança de um nascimento que ocorre no fim da vida do meu amigo Ano). Pronto, falei! Faltam 21 dias. Crônica de uma morte anunciada. Já estou vendo a São Silvestre (foto) na tevê e os fogos de artifício (estes ardis ideais de felicidade que nos queimas e consumem a todos, pois não dão esperança só as tiram). Todos esperam que o Ano se acabe. Eu queria ficar mais um pouco com ele. Dizer o que não achei certo para que ele pudesse corrigir alguns dos seus defeitos, o de ter nascido ímpar, por exemplo. Mas ainda não deu. O trabalho e cotidiano me impedem de pensar no Ano e de acompanhar atento o seu fim. Que todos prestem atenção na dor de um agonizante e que não me venham com festinhas, champanhe, porquinho, lentilha e mais fogos pelo Outro que vai nascer (não o Jesus, é claro, mas sim este Outro que também vão chamar de ano, apenas mudando o número). Eu sei que está acabando, mas vou ficar ao seu lado no leito de morte anual. E respeitem a minha dor!
segunda-feira, novembro 12, 2007
Até quando?

Com esta simples pergunta pretendo indagar sobre onde a fúria e o ódio cego entre as torcidas (des) organizadas vai nos levar. Outro torcedor morreu na Itália e milhares já morreram no mundo por estarem com a camisa do seu clube do coração. Atualmente, já não interessa o futebol, que recebe uma cotação secundária. Os torcedores, boa parte jovens (com hormônios borbulhando) saem de casa pensando em como vão fazer para provocar o rival, em quais os xingamentos novos e na velha máxima de "é matar ou morrer".
Algumas soluções estão sendo estudadas. Os grandes clássicos como Gre-Nal, Fla-Flu, Atlético x Cruzeiro, Corinthians x Palmeiras terem apenas a torcida do time mandante. A escolta ou o impedimento de torcidas viajarem para acompanhar o seu time. A expulsão de todos os baderneiros após identificação via câmera nos estádios. Acredito que não há solução aparente, mas acho que o futebol pode ser dissociado da violência, com a conscientização a respeito da desportividade e a aferição de um menor valor de ganhar ou perder, pois afinal o futebol é um esporte e não uma atividade de gladiador. Mas vai dizer isto para nós, homens, quando o nosso time está perdendo. Pensadores do esporte e da segurança. É hora de vocês trabalharem arduamente. Boa sorte!
sábado, outubro 20, 2007
Primeiro livro na praça

Amigos, está chegando a hora. No dia 10 de novembro, às 19h30, vou autografar Amor sobre tela no pavilhão de autógrafos da 53ª Feira do Livro de Porto Alegre. Este meu primeiro livro é resultado de oito anos de trabalho, foi reescrito algumas vezes e condensado em 185 páginas (dava para cortar mais); e tem capa da artista plástica Bárbara Nunes.
Segue uma pequena sinopse da obra para vocês:
De que o amor é feito? Esta pergunta não tem resposta. De que trata este livro? Olivares e Vera são um escritor e uma artista plástica. Eles vivenciam um amor de verão. Os rastros desta história passam a ser o norte da vida de Demóstenes, um jornalista cultural e aspirante a escritor, contratado para escrever um romance sobre este amor. Durante algum tempo, ele irá buscar juntar peças de um quebra-coração. Para isso, vai imergir nos fatos e no universo de referências do casal: de Fernando Pessoa a Lobo Antunes e de Boticelli a Krajcberg. Nesta busca, pode perder a própria identidade, mas tentará de todas as formas juntar o par pela última vez, quando um ardil os conduz a um surpreendente final.
domingo, outubro 14, 2007
Blue or Down
Coisas que nos deixam para baixo:
- Demissões injustificáveis
- Empate no finalzinho
- Telefonema na hora da transa
- Contas a pagar (muitas, atrasadas, de preferência)
- Mercado ou banco fechado
- Falta de visão empresarial ou de mercado
- Espetáculos amadores feitos por profissionais
Por enquanto é só
- Demissões injustificáveis
- Empate no finalzinho
- Telefonema na hora da transa
- Contas a pagar (muitas, atrasadas, de preferência)
- Mercado ou banco fechado
- Falta de visão empresarial ou de mercado
- Espetáculos amadores feitos por profissionais
Por enquanto é só
segunda-feira, agosto 20, 2007
Evolução?
http://cienciaesaude.uol.com.br/ultnot/bbc/2007/08/20/ult4432u534.jhtm
Notícia publicada no site www.uol.com.br (link acima) coloca lenha na fogueira dos caminhos da sexualidade. O cientista Umberto Veronesi tem uma teoria que a espécie humana está caminhando para o bissexualismo. Em conferência proferida no fim de semana na região da Toscana, Veronesi, que é ex-ministro da Saúde da Itália considera o bissexualismo como "resultado da evolução natural das espécies".
O oncologista justifica relatando que o homem vem perdendo suas características e tende a se transformar em figura sexualmente ambígua. Para ele, a mulher está se tornando mais masculina. Ele vai mais adiante, comentando que no futuro o sexo será apenas um gesto de demonstração de afeto e não terá fins reprodutivos, podendo ser praticado entre pessoas de sexos opostos ou não. O médico diz que num futuro não muito próximo, a sociedade poderia ser organizada como o mundo das abelhas, no qual a maior parte de seus membros seria praticamente assexuada e só uma pequena parte se dedicaria à reprodução.
A professora de sexologia da Universidade La Sapienza de Roma, Chiara Simonelli, concorda o médico e considera este processo como resultado da evolução genética e da mudança de mentalidade
O antropólogo Fiorenzo Facchini, da Universidade de Bolonha, discorda com a teoria. Segundo ele, "do ponto de vista antropológico, a orientação sexual é definida a nível biológico pela espécie e isto não pode ser alterado".
Quero dizer que concordo com as teorias evolucionistas, mas quando elas são resultado de uma intensa pesquisa científica e de uma decorrência do tempo necessário para a comprovação, como a professora Chiara Simonelli ressalta na entrevista: precisa de mais duas ou três gerações para se consolidar. Por isso, prefiro crer que o bissexualismo seja uma condição aceita e respeitada, mas vou defender a liberdade da evolução humana mais para o lado da heterossexualidade (minha preferência), respeitando os bi e os homos, seres bacanas e de mente aberta. Por essas e por outras teorias, é que sou contra o progresso em algumas situações. Estou com saudade do namoro de pegar na mão. Deve ser apenas saudosismo, mas tudo está caminhando muito rápido.
Notícia publicada no site www.uol.com.br (link acima) coloca lenha na fogueira dos caminhos da sexualidade. O cientista Umberto Veronesi tem uma teoria que a espécie humana está caminhando para o bissexualismo. Em conferência proferida no fim de semana na região da Toscana, Veronesi, que é ex-ministro da Saúde da Itália considera o bissexualismo como "resultado da evolução natural das espécies".
O oncologista justifica relatando que o homem vem perdendo suas características e tende a se transformar em figura sexualmente ambígua. Para ele, a mulher está se tornando mais masculina. Ele vai mais adiante, comentando que no futuro o sexo será apenas um gesto de demonstração de afeto e não terá fins reprodutivos, podendo ser praticado entre pessoas de sexos opostos ou não. O médico diz que num futuro não muito próximo, a sociedade poderia ser organizada como o mundo das abelhas, no qual a maior parte de seus membros seria praticamente assexuada e só uma pequena parte se dedicaria à reprodução.
A professora de sexologia da Universidade La Sapienza de Roma, Chiara Simonelli, concorda o médico e considera este processo como resultado da evolução genética e da mudança de mentalidade
O antropólogo Fiorenzo Facchini, da Universidade de Bolonha, discorda com a teoria. Segundo ele, "do ponto de vista antropológico, a orientação sexual é definida a nível biológico pela espécie e isto não pode ser alterado".
Quero dizer que concordo com as teorias evolucionistas, mas quando elas são resultado de uma intensa pesquisa científica e de uma decorrência do tempo necessário para a comprovação, como a professora Chiara Simonelli ressalta na entrevista: precisa de mais duas ou três gerações para se consolidar. Por isso, prefiro crer que o bissexualismo seja uma condição aceita e respeitada, mas vou defender a liberdade da evolução humana mais para o lado da heterossexualidade (minha preferência), respeitando os bi e os homos, seres bacanas e de mente aberta. Por essas e por outras teorias, é que sou contra o progresso em algumas situações. Estou com saudade do namoro de pegar na mão. Deve ser apenas saudosismo, mas tudo está caminhando muito rápido.
quinta-feira, agosto 02, 2007
Live and let die hard


Amigos, é só um lembrete para que todos aqueles que viveram os filmes de ação nos anos 80 e início dos 90. Vocês devem ir ao cinema amanhã para ver Live Free or Die Hard ou Duro de Matar 4.0. O detetive John McClane (Bruce Willis) está cada vez mais humano e herói ao mesmo tempo, com sua ironia fina dizendo que só queria ir para casa descansar em mais um feriado - 4 de julho - que vai chutar o traseiro do vilão ou dizer yippee ki yay, motherfucker. Desta vez, enfrenta terroristas virtuais, cai de avião em movimento, equilibra caminhão em duas rodas e sozinho com sua pistola mata homens fortemente armados com metralhadoras. Uma boa pedida para os cinemas. Se quiser saber mais detalhes leia minha crítica amanhã no www.cinema.com.br.
terça-feira, julho 31, 2007
A Petra vem aí

Depois do show do Fito Paez e da Liliana Herrero, ainda tivemos fôlego, Nara e eu, para irmos até o coquetel de lançamento da peça As Lágrimas Amargas de Petra Von Kant, de Rainer Werner Fassbinder, cuja estréia será sexta-feira, às 20h, na sala Carlos Carvalho, da Casa de Cultura Mário Quintana. O coquetel lotou o mezzanino da champanharia Ovelha Negra. Entre champanhes e trufas, mais doces do que as amargas lágrimas de Petra, o diretor Airton Oliveira fez a apresentação da peça, da equipe e do elenco. Na equipe, está a minha esposa, Nara Maia, que é diretora de atores e iluminadora. Betina Müller protagoniza a estilista Petra, com um elenco de primeira à sua volta, vivendo a estilista de moda, de grande sucesso, viúva do primeiro marido e separada do segundo, que vive uma relação de ciúme e possessividade com uma modelo, Karin (Simone Telecchi), e também uma relação de poder e submissão com sua assistente, Marlene (Janaína Pelizzon). No elenco, ainda estão Rosa Campos Velho, Marley Danckwardt e Aline Jones. Eu já li o texto e já vi o filme do Fassbinder e a julgar pelas pessoas envolvidas e pelo texto em questão, vivido pela primeira vez no teatro brasileiro por Fernanda Montenegro (foto), o espetáculo tem tudo para fazer história no teatro gaúcho. Vamos conferir de sexta até 26 de agosto, de sextas a domingos, na Carlos Carvalho.
Na segunda-feira, FITEI


Bom, o Festival de Inverno de Porto Alegre foi fechado com chave carismática. Fito Paez e Liliana Herrero protagonizaram um encontro memorável de 1h30 com um público que lotou os 750 lugares do Theatro São Pedro (incluindo cadeiras extras) da sessão extra das 18h desta segunda-feira. A sessão das 21h foi igualmente lotada, foi o que me disseram. Fito é carismático, simpático, ama a música e tem letras simplesmente tocantes. Como é o caso de 11 Y 6: "Miren todos, ellos solos pueden más que el amor. (y son mas fuertes que el Olimpo). Se escondieron en el centro y en el baño de un bar, sellaron todo con un beso". Com Liliana Herrero, sua irmã maior - como Fito disse em brincadeira sobre música que compôs para o aniversário de 50 anos dela - Liliana - fizeram um pequeno passeio por suas composições e por obras de compositores latino-americanos do passado (Atahualpa Yupanqui) e contemporâneos (o uruguaio Fernando Cabrera). De Fito, Mariposa Technicolor compareceu no bis, com três músicas. A música que se insistiu por entre nossos ouvidos foi Romaria, de Renato Teixeira (que também esteve no Festival de Inverno), eternizada pela voz da pimentinha Elis Regina. Por duas vezes, Liliana regeu o coro da platéia, que tinha um foco de luz próprio, cantando à capela: "sou caipira pirapora nossa Senhora de Aparecida", mostrando um cara de contentamento, difícil de esconder. Noite mágica.
domingo, julho 29, 2007
Tango, vinho e sol

O final de semana foi regado a tango,vinho e sol. O primeiro elemento nos foi apresentado pela Orquesta Tipica Fernandez Fierro (foto), no início da noite de sábado, no Teatro Renascença, dentro da programação do Festival de Inverno de Porto Alegre. Os 12 jovens músicos do grupo fizeram um show de 1h30, com muita qualidade musical formada por um naipe de quatro bandoneóns, outro de quatro violinos, uma viola, um violoncelo, um piano e um vocalista que brincou o tempo inteiro com a platéia e mandou ver nos figurinos portenho-fashion. O grupo que está junto há quase uma década tocou cerca de 18 músicas, com dois bis, tendo como base os seus dois mais recentes discos Destrucción Massiva e Mucha Mierda.
Aliás, a brincadeira mais comum da banda era com o desejo de Mucha Mierda ou de de sorte, como dizem os atores no teatro. Ao final do show, conversei com um dos bandeonistas, que me confessou existirem umas dez boas orquestras típicas em Buenos Aires e que eles gostaram de tocar em Porto Alegre, porque o público é participativo e bem-humorado. Os rapazes rio-platenses ainda teriam outro show às 21 horas, fato que vai se repetir nesta segunda-feira, quando Fito Paez e Liliana Herrero realizam dois shows às 18h e 21h, fechando o Festival de Inverno.
Bom, depois do show, como ninguém é de ferro, rolou uma jantinha em casa, com o casal de melhores amigos e padrinhos de casamento, Luiz Fernando e Sinara. A Nara cozinhou massa ao pomodoro e a dois queijos. Para beber, o tal vinho chileno Santa Helena, já nominado no título deste post. No domingo, rolou o tradicional almoço em casa e aí o Brique da Redenção, acompanhado do sol, este velho companheiro, que não consegue espantar o incômodo frio. De tarde, fiquei na frente da tevê vendo o meu Inter amassar o Sport (5x1) em Recife pelo Brasileirão, chegando ao quinto lugar do Brasileirão. Na quarta-feira, tem Vasco no Beira-Rio e estaremos lá com certeza. Um baita fim de semana. De noite, vou ver o Derico Sciotti (aquele do sexteto do Jô), acompanhado da banda Sindicato do Jazz e da Banda Municipal de Porto Alegre. Vai ser de bater palma sem parar.
sexta-feira, julho 27, 2007
Um fim

Hoje pela manhã, chegou ao fim o seminário Cinco Lições sobre Nietzsche, ministrado pelo professor doutor da Unicamp/SP, Oswaldo Giacoia Jr, para o Festival de Inverno de Porto Alegre. Na aula final, no Teatro de Câmara, o assunto foi a relação da filosofia com a vida. Antes de tratar deste tema, Giacoia leu o aforismo 6 do capitulo Por que sou tão sábio, do livro Ecce Hommo. A síntese das considerações nietzscheanas é de que o ressentimento é doença e que a proposta de Nietzsche para o ser humano ser capaz de renunciar a vingança - principalmente contra o tempo, o foi, o passado - é o eterno retorno, a teoria do tempo circular, poder desejar novamente aquilo que foi.
No tema Filosofia e Vida, o mestre paulista traz à baila uma questão fundamental abordada por Michel Foucault que é o que estamos fazendo de nossas vidas ou o que estamos fazendo de nós mesmos. Nietzsche propõe que relação entre filosofia e vida não pode ser contemplativa, como sugeriam Platão, Kant e Schopenhauer. Esta relação deve brotar das entranhas. Com isso, questiona o imperativo ético kantiano e todas as éticas ocidentais até então, que é a busca de uma vida virtuosa, do ideal de felicidade. O objeto ético então é a felicidade. Em Assim Falava Zaratustra, Nietzsche diz com clareza que os homens modernos inventaram a felicidade. Só que o ideal da felicidade inventada é marcada pelo conforto, pelo bem-estar, pela segurança e pela ausência de dor e sofrimento, isto é, uma ilusão e uma apologia ao consumo infinito, aos templos da contemporaneidade, os shopping center 24 horas. Nietzsche novamente propõe em Crepúsculo dos Ídolos a arte como tragédia, como transfiguração estética, a arte pela arte ou por meio das festas dionisíacas, as bacanais, garantir a eternidade pela ação da sexualidade, pela dor do parto, pelo futuro da vida. Chegamos à conclusão de Nietzsche leva a filosofia e a metafísica ao seu esgotamento, apesar de - mesmo com seu contraponto e investigação profunda - às vezes dar suporte para o pensamento platônico, kantiano e schopenhauriano. É o preço que se paga pela profundidade de sua metafísica.
A aula acabou e ficamos todos órfãos da condução magna e precisa do professor Giacoia, que nos prometeu um "eterno retorno" para novas palestras e cursos.
Cortázar e Cla Wolff
A quinta-feira de Festival de Inverno de Porto Alegre foi de amizade e intimidade. Depois da aula teórica sobre ressentimento a partir da filosofi de Nietzsche do professor Oswaldo Giacoia, tive à tarde e à noite contatos com a atitude política de Cortazar, na quarta aula do mestre portenho Martin Paz. Dentre tantos aspectos abordados, Paz tratou de dar um contexto histórico-político da Argentina do século 20, dos momentos antes do peronismo e posteriores e do envolvimento de Cortazar com as revoluções desde que visitou Cuba em 1960. O conto Reunión, do livro Todos os Fuegos o Fuego é imputado por Paz talvez como um dos primeiro escritos ficcionais políticos de esquerda de Cortázar, pois trata do objetivo do desembarque de revolucionários em Sierra Maestra, onde estão presente a figura biográfica de Che Guevara e um homem chamado apenas pelo codinome Luis, mas que era Fidel Castro.
O professor também lembra que os escritores de esquerda foram muitas vezes condescentes com as atrocidades do governo cubano e traçaram Fidel como uma espécie de mito, que tinha habilidades em medicina, agricultura, economia e era capaz de lembrar de uma boa conversa e continuá-la dez anos depois de iniciá-la. Cortázar teve um envolvimento fortíssimo com a causa da revolução na Nicarágua, escrevendo Nicarágua tão Violentamente Doce e também o conto Apocalipse em Solentiname, onde o poeta Ernesto Cardenal vira um personagem.
À noite fui na abertura da exposição Olhares Revelados, da artista plástica e mais do que tudo minha amiga e muitas vezes parceira intelectual Clarice Wolffenbüttel Lemes. As obras são de uma composição bem construída, com uma razão pictórica bem definida, domínio das cores e intenções que trabalha os olhares enviesados, com a constituição física arredondada de um Botero ou de um Rafael.
Cla Wolff, como me permito chamar, é uma usina de idéias, que partem da sua ansiedade, de uma loucura que ela diz ter e que todos nós temos, que é o sopro da criação. Constrói poesias sempre. Divaga outras tantas vezes. Relembra fatos da história, sua formação primeva, com maestria. Lembrei de Cla Wolff e de Cortázar, pois foi ela que me deu a minha primeira obra em espanhol do escritor portenho, mas nascido em Bruxelas. É a edição de Historias de cronopios y de famas, que ela ganhou numa das suas viagens, a mais longa a São Francisco, que depois ganhou a Europa, onde vivências e formação artística em Amsterdam, na Holanda, deram para ela um sopro artístico a mais.
Mais um dia inesquecível.
O professor também lembra que os escritores de esquerda foram muitas vezes condescentes com as atrocidades do governo cubano e traçaram Fidel como uma espécie de mito, que tinha habilidades em medicina, agricultura, economia e era capaz de lembrar de uma boa conversa e continuá-la dez anos depois de iniciá-la. Cortázar teve um envolvimento fortíssimo com a causa da revolução na Nicarágua, escrevendo Nicarágua tão Violentamente Doce e também o conto Apocalipse em Solentiname, onde o poeta Ernesto Cardenal vira um personagem.
À noite fui na abertura da exposição Olhares Revelados, da artista plástica e mais do que tudo minha amiga e muitas vezes parceira intelectual Clarice Wolffenbüttel Lemes. As obras são de uma composição bem construída, com uma razão pictórica bem definida, domínio das cores e intenções que trabalha os olhares enviesados, com a constituição física arredondada de um Botero ou de um Rafael.
Cla Wolff, como me permito chamar, é uma usina de idéias, que partem da sua ansiedade, de uma loucura que ela diz ter e que todos nós temos, que é o sopro da criação. Constrói poesias sempre. Divaga outras tantas vezes. Relembra fatos da história, sua formação primeva, com maestria. Lembrei de Cla Wolff e de Cortázar, pois foi ela que me deu a minha primeira obra em espanhol do escritor portenho, mas nascido em Bruxelas. É a edição de Historias de cronopios y de famas, que ela ganhou numa das suas viagens, a mais longa a São Francisco, que depois ganhou a Europa, onde vivências e formação artística em Amsterdam, na Holanda, deram para ela um sopro artístico a mais.
Mais um dia inesquecível.
quinta-feira, julho 26, 2007
O isso e o ressentimento

O Festival de Inverno de Porto Alegre segue quente, principalmente no que tange às discussões sobre Nietzsche, imputadas à assistência do curso no Teatro de Câmara pelo professor doutor Oswaldo Giacoia Júnior. Pois bem, na terceira e quarta aulas realizadas na quarta e quinta-feira pela manhã, os temas básicos foram o isso (na descontrução do ego cogito cartesiano) e a moral do ressentimento a partir das três primeiras dissertações de A Genealogia da Moral.
Quanto ao isso (ou o id freudiano), as informações que circulam na palestra são de que não necessariamente deve haver um eu pensante, mas sim um isso pensante, é o pensamento (segundo o aforismo 17 de Para Além do Bem e do Mal) que vem quando ele quer e não quando eu quero. Segundo Giacoia, o eu não pensa, o eu é pensado. Não é o eu que pensa, mas é o isso que pensa.
Na aula desta quinta-feira, a investigação sobre a gênese da moral leva todos até a derrubada do conceito da moral vigente até o século 19. Esta moral seguia com Kant e Schopenhauer o modelo socrático-platônico-cristão, que é a moral do rebanho, da massa, produto da culpa e do ressentimento. O ressentimento é considerado por Nietzsche como um entorpecente para os fracos: “alguém tem de ser o culpado por eu estar sofrendo.” Conforme Giacoia, baseado na Genealogia da Moral, o ato criador da moral da vingança é o não, a negação, construir-se a si próprio pela negação do outro. Este ressentido é comparado por Nietzsche ao tipos subterrâneos das Memórias do Subsolo, de Fiódor Dostoievsky.
Para Nietzsche, o não-ressentido tem o transbordamento da força, o outro não é mau, mas infeliz, privado de potência. Na dissertação I, parágrafo 10, Nietzsche dá o exemplo de Mirabeau, que não guardava lembranças de insultos e vilezas e não podia perdoar, simplesmente porque esquecia. Giacoia reitera que o homem forte é capaz de elaborar, de processar as suas vivências negativas, de não se ressentir, enquanto o homem fraco faz exatamente o contrário, se envenena e se intoxica com este sentimento repetido, guardado, este ressentimento.
terça-feira, julho 24, 2007
Da aurora à nostalgia

O Festival de Inverno seguiu nesta terça-feira a todo vapor. Estava com um pouco de sono, mas vi o professor Oswaldo Giacóia Jr.(foto) fazer uma pequena reflexão de uma hora sobre a epígrafe menor ainda do livro Aurora, de Friedrich Nietzsche: “há tantas auroras que não brilharam ainda”. Em linhas gerais, Giacóia relaciona a frase aos ensinamentos ascetas dos hinos hindus RigVeda. E com isso, reflete sobre a vontade como sofrimento, à maneira de Schopenhauer, e a ascese, a negação da vontade, o sábio percebendo que o real é a ilusão. Comentando que Nietzsche só se reafirma quando nega Schopenhauer e na Aurora oferece a sua luz, que é viver o aqui e agora no único mundo existente, já que não há nada além desta existência.
À tarde, o professor Martin Paz, da Universidade de Buenos Aires, leu e analisou contos como El Otro Cielo, Todos os Fuegos o Fuego e La Autopista Del Sur, além de Axolotes, Torito, Reunión e outros, de Julio Cortazar. No conto El Otro Cielo, estabelece-se a passagem fantástica entre uma galeria de Paris e outra de Buenos Aires. Na Autopista Del Sur, um engarrafamento se transforma numa comunidade. A tarde passou rápido e o frio chegou. Veio também à noite, na qual eu voltaria a ver a banda Engenheiros do Hawaii, ou o que restou dela – Humberto Gessinger e uma garotada. Vi o primeiro show deles no Rock Unificado 1986, no Gigantinho. Até 1992, assisti a uns 25 shows deles. Depois, parei porque achei que o Humberto estava ficando mais bossal do que aqueles que atiram bombas na embaixada.
Foi um show curto, de 1h48, com dois bis, que mostrou fãs ardorosos que lotaram o acanhado Teatro Renascença. Talvez o menor público deles da década: 400 pessoas. As músicas todas apareceram neste show acústico: Toda Forma de Poder, Somos Quem Podemos Ser, Era um Garoto, O Papa é Pop e Infinita Highway, além de novas como Vertical, bem moderna no arranjo. Humberto tocou tudo viola, violão, harmônica, piano etc. Noite ótima. De nostalgia. Amanhã tem mais.
Inverno Culto

Nesta segunda-feira, Porto Alegre começou a cumpriu sua promessa para comigo: me proporcionar um inverno mais culto. O dia foi intenso. Tive que tirar férias no jornal que trabalho – o Diário de Canoas – para poder acompanhar melhor todas as atividades. Logo pela manhã, o curso sobre Friedrich Nietzsche, ministrado pelo professor doutor paulista Osvaldo Giacóia Jr. (o que escreveu o Folha Explica sobre o filósofo), no Teatro de Câmara.
O tema da manhã foi a morte de Deus na obra do autor de Humano, Demasiado Humano. O professor Giacóia iniciou a incursão pelo mundo do esclarecimento e também do niilismo a partir do aforismo 125 de A Gaia Ciência: O Homem Louco.
Em síntese, o homem que procura Deus, descobre que todos nós o assassinamos e nos tornamos senhores do nosso destino, emancipando a nossa razão. Sem Deus e sem a sua metáfora maior do mar e do horizonte, o infinito e o absoluto caem por terra e sobrevive o intelecto como sujeito, com o homem deixando a condição de vassalagem. Nesta interpretação sobre a morte de Deus, as igrejas passam a ser os mausoléus e os túmulos de Deus.
Bom, a manhã passou voando, mas aterrissou tranqüila, sem tentar arremeter.
A tarde foi corrida, mas consegui chegar a tempo do seminário Os Jogos Secretos de Julio Cortázar, com o professor da Universidade de Buenos Aires, Martin Paz. Fui ao evento com a minha mulher, Nara. De início, houve uma reprodução de áudio de um fragmento do conto A Casa Tomada, do livro Bestiário. A partir da constatação da dicção do R cortazariano e do seu estrangeirismo, afrancesado, o mestre portenho apresentou a biografa do escritor nascido em Bruxelas em 1914, no início da 1ª Guerra Mundial, cuja família voltou à Argentina em 1918 para moram no subúrbio, em Banfield. Os dados biográficos mostram o contraste entre o burguês e o popular: tango ou jazz é o exemplo maior. A publicação da peça Os Reis (1948) e de Bestiário (1951), a bolsa do governo francês em 1958 e a publicação de Rayuela (O Jogo da Amarelinha em 1963 são peças da engrenagem do homem que passa a ser personagem no mundo. No estrangeiro, passa a ser um exilado pela literatura e a defender o enfrentamento dos regimes totalitários latino-americanos. Com uma série de dicas de contos que serão trabalhados na terça-feira, como O Outro Céu, Axolotes e Auto-estrada do Sul, Paz encerra a sua aula, chamando para a Possibilidade do Relato Fantástico: tema da segunda aula.
E o que falar da noite no Teatro Renascença. Tenho 38 anos e ainda não havia visto a dupla Sá e Guarabira tocando, muito menos com o terceiro integrante Zé Rodrix. Os caras são lendas-vivas. Tocam muito, são divertidos e passaram a desfilar sucessos e anônimas canções lindas. Dona, Casa no Campo, Te Amo Espanhola, O Pó da Estrada e Caçador de Mim. Não precisa dizer mais nada. Show de 1h30, com bis de 15 minutos. Noite memo e rememorável. De bater pezinho, como diz o Arthur de Faria.
sábado, abril 14, 2007
Inferno seria perder esta peça

O post é bem rápido. É para convidar meus leitores a assistirem ao espetáculo Entre Quatro Paredes, texto do filósofo existencialista Jean-Paul Sartre. A montagem da Cia 4 Produções trabalha a pungência do texto com os elementos da estética do confinamento. Três pessoas são conduzidas a um local onde não há estacas, grelhas, nem piscar de olhos, isto é, não é o inferno no seu estereótipo. Nas suas consciências, porém, o que foi feito aos que ficaram na terra dos vivos faz toda a diferença. Aos poucos o jornalista, a socialite e a funcionária pública acabam se dando conta do que os levou até ali e começa a fazer a sua expiação. O inferno são os Outros, diria Sartre. Eu diria que o inferno é perder a excelente atuação de Marcelo Aquino como Joseph Garcin, com um envolvimento corporal e vocal, demonstrando o legítimo tormento de um homem que torturou alguém de alguma forma, mesmo que não fisicamente. Inferno seria perder Carolina Garcia interpretar Inês Serrano, a lésbica que destila sua ironia e os seus amores aos dois convivas. Inferno é deixar de travar contato com as sutilezas da Estelle Rigault de Daniela Aquino. A bela socialite encanta e tira as máscaras da insegurança e do seu crime com leveza. O Criado vivido por Antônio Carlos Falcão tem austeridade, digno de um ator que faz comédia e drama com a mesma competência. Méritos para Sandra Dani, a maestrina que orientou a todos e também para a trilha contundente de Marcelo Delacroix. Louvores maiores ainda ao esteta Élcio Rossini que com sua estrutura de acrílico cria uma Caixa de Pandora, uma Arena, um Coliseu, algo cheio de surpresas para os leões da platéia devorarem. A concepção de luz de Antônio Tubino e Liliane Vieira trata o espectador como participante deste inferno fazendo-o se refletir no acrílico e tentar buscar os pecados dentro de si. Imperdível este vencedor de três troféus Açorianos.
sábado, abril 07, 2007
Sam Shepard no Renascença


Amigos leitores
Uso estas mal-traçadas linhas para convidá-los a assistir uma peça de grande qualidade no Teatro Renascença, localizado na rua Erico Verissimo, 307, em Porto Alegre. Mamãe foi pro Alaska está em cartaz de sexta a domingo, sempre às 21h, até 22 de abril.
O trabalho dirigido por Ramiro Silveira propõe uma leitura criativa e divertida para o denso texto True West, de Sam Shepard, que conta a história do reencontro de dois irmãos Lee e Austin, vividos por Evandro Soldatelli e Carlos Ramiro Ferstenseifer, após cinco anos na casa da Mãe (Arlete Cunha) ,que foi para o Alaska. Os dois acertam as contas na disputa pela atenção pelas suas histórias cinematográficos de um produtor de Hollywood, resolvem as diferenças, redescobrem a identidade e a fraternidade, numa montagem que propõe um cenário cheio de alternativas de Zoé Degani: um telão-ciclorama onde bonecos de playmobil se perseguem no deserto, flores, torradeiras, mesas que viram automóveis, triciclos que trazem um andarilho violeiro. Além de uma luz linda que valoriza os matizes básicos de preto, branco e cinza, feita pela minha esposa (linda!!!), Nara Maia. Enfim, uma beleza de espetáculo que venceu dois prêmios Sated/RS, teve cinco indicações ao Açorianos e lotou teatros no Festival de Curitiba. As fotos aí de cima são do excelente fotógrafo, colega de trabalho e amigo Luciano Bergamaschi. Confiram!!!!
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