quinta-feira, setembro 17, 2009

Giacomina, uma grande boneca de pau


Acabei de assistir "Giacomina en voyage", do grupo de teatro de bonecos italiano (da Sardenha) Is Mascareddas, dentro da programação do 16º Porto Alegre em Cena. O espetáculo é bem bom, principalmente pelo grau de dificuldade e de movimentos dos bonecos articulados em madeira. Giacomina é uma menina que olha o mundo pela janela de sua casa e resolve conhecê-lo, acompanhada do burro Berrabó, mas ele desaparece misteriosamente e a sua busca passa a ser pelo companheiro. A criança que pergunta, que suaviza o mundo, que tira o véu de uma noiva por pirraça, que cumprimenta as pessoas, mesmo que receba um batida de pratos de percussão como resposta. Uma saga bem bolada, com bonecos inspirados no artesanato de mestres sardenhos da década de 20,30, 40 e 50, do século 20, como Eugenio Tavolara e Tosino Anfossi. Tudo isto embalado por uma trilha sonora belíssima, com destaque para os temas com fundo árabe. Bello.

Aqui publico uma entrevista feita em inglês e italiano com a diretora artística Donatella Pau, o ator-manipulador Antonio Morru e a agente e produtora Maria Carozza:


1- First of all, I would like to know how and why is this homage to Eugenio Tavolara and Tosino Anfossi?

"Giacomina en voyage" richiama un momento storico fondamentale per la nascita del moderno artigianato artistico in Sardegna e getta una nuova luce su un patrimonio culturale, quello della collezione Atte, che ha svolto un ruolo importante nella cultura del Novecento in Sardegna.
ATTE è la sigla della società fondata negli anni 20 da Eugenio Tavolara e Tosino Anfossi a Sassari (the puppets are like some artistic toys whom are realized between 1920 and 1950 by two important figurative artists of our country: Eugenio Tavolara and Tosino Anfossi. They can be included in to Futurism Moviment):
un vero laboratorio di progettazione e creazione di giocattoli e di oggetti, per lo più di legno tornito e policromato, raffiguranti personaggi popolari del mondo agro-pastorale, ma anche urbano, della Sardegna. La sintesi creata dai due artisti, con la semplicità della scultura e l’uso del colore, rende questi personaggi fortemente espressivi trasformando le ambientazioni popolari come il carnevale, le processioni religiose, le sagre paesane, la via crucis, ma anche le favole come Pinocchio, in un patrimonio artistico interessante e prezioso per la nostra isola.
La produzione dei due artisti è stata notevole. Oltre al lavoro di ricerca per la creazione e l’innovazione della produzione artigianale in Sardegna, vi sono compresi, appunto, i giocattoli.

La Compagnia Is Mascareddas vide per la prima volta parte della collezione a Villanovaforru (in Sardegna) nel 1991.
Nel 1996 fu presentata a Sassari (Sardegna) la mostra “Eugenio Tavolara - scultura e arti applicate 1925-1962”. In quelle due occasioni la Compagnia ha potuto ammirare questi pezzi d’arte e già da allora ha pensato di dedicare loro un lavoro di “attualizzazione teatrale”.
Donatella said: a queste sculture mancava il movimento. Noi abbiamo pensato di farli rivivere in una storia che richiama delle atmosfere legate alla nostra isola


2 – What kind of character is Giacomina, always following by Berrabó donkey?

Donatella said: She is our guide trought this ancient and magic world. She go straight and find this world.
She look at this world which it's "like a stone" with a free and cool look. She is a baby who one day lives a story of love and death. She loses her donkey, but at least she find it again. She lives like in an initiatition to life. The adults don't talk like her, but she doesn't care of it.

3 – Tell us about the story, the narrative and animation
Donatella said: it didn't an easy work! the Tavolara and Anfossi's world is made by a lot of interesting caracthers. We started from that figures and after we created a story around them.

4 – Do you know something about puppet animators and animation from Brazil and from Porto Alegre?

Donatella said: Yes, Ubiratan Carlos, Anima Sonho, Compagnia Sobrevento, Catibrum (Lelo Silva and Adriana Focas Festival of Belo Horizonte).

5 – What the next projects of your group?
Donatella said: we are working at a new show without words for adults with two puppetts, Emilio and Norma. It talkes about this couple who try to find some new energy, some strategies for "escape from the misery of life".
At the end of 2008 we opened our new theatre in Monserrato, near to Cagliari, the capital of Sardegna.
Here we're organizing festival, some courses of different performing arts - like animation theatre, contemporary dance and concerts. Our principal purpose is to advance the culture around the Animation Theatre in Sardegna, because in our land there isn't a tradition about it and to bring in Sardegna the most important companies from over the world.

Rock por instantes


O show de Jerry Lee Lewis no Pepsi On Stage na noite desta quarta-feira foi daqueles shows mais dar gostinho do que propriamente para curtir intensamente. O público bem que tentou. As cerca de 1,8 mil pessoas que foram ao local procuraram mostrar o seu vigor rock na atitude, no vestuário - principalmente as mulheres com vestidos que lembravam os bailes americanos das décadas de 50 e 60. Em compensação, o show durou cerca de uma hora, das quais em apenas 38 minutos o pianista natural de Ferriday, na Louisiana com 73 anos e aquele sotaque anasalado do sul dos EUA comandou as ações, com a sua agilidade peculiar ao piano. As primeiras quatro músicas foram com a banda que o acompanhava. Ele desfilou alguns sucessos como Whole Lotta Shakin, Roll Over Beethoven e Great Balls of Fire. O público que pagou de R$ 80,00 a R$200,00 para ver o show saiu com um gostinho de quero mais, mas também com a certeza de ter visto uma lenda viva do rock, fazendo de tudo para mostrar que o rock (seus riffs e atitude) jamais vai morrer, mesmo que os seus protagonistas envelheçam.

terça-feira, setembro 15, 2009

Fadada ao Universal


A seguir publico na íntegra uma entrevista com a cantora portuguesa Mísia que se apresenta no 16º Porto Alegre, na quarta-feira, 16 de setembro, às 21h, no Theatro Sâo Pedro. A entrevista será publicada parcialmente no Correio do Povo. Não há mais ingressos para o espetáculo. O crédito da foto é Divulgação/Poa em Cena


1 - O que você pode nos dizer do show Ruas? O disco duplo é extremamente universal, pois apresenta a música portuguesa (Lisboarium) e investiga o fado que há cada canção universal em Tourists. O show nos remete a este clima "fados em todos os gêneros" e "canções universais com alma portuguesa"?
-O FADO é uma musica mas antes disso ja era uma palavra que significa Destino, Fatalidade.
Em Lisboarium sonha-se uma Lisboa desde longe e ouvem-se fados, Morna e Marchas de Lisboa.
Em Tourists ouvem-se temas de repertórios de artistas que tiveram uma relação tragica com o Destino( Ian Curtis, Dalida, Luigi Tenco, etc) e géneros musicais ( Flamenco, Enka Japonesa, Ranchera, Cançao Napolitana)que cantam noutras línguas de outras culturas, as mesmas emoçoes e sentimentos que canto no Fado. Neste sentido nao me mexo nem um milimetro, estou sempre no mesmo ponto.



2 - Por que decidiste cantar em tantas línguas? Isto revela a importância de extrair a musicalidade de cada língua? Existe projeto de um disco novo e show sem cantar em língua portuguesa?
Acho que cada língua tem uma maneira de sentir a vida e tem uma musica propria das suas gentes. Sempre que posso, evito traducçoes. Sim ha um projecto sobre Chopin para o ano 2010 (Bicentenário do seu nascimento)que penso que sera cantado todo em polaco e francês. Mas ainda esta em embriao.
3 - E a parceria com Adriana Calcanhoto, onde surgiu a ideia deste encontro tão produtivo e como serão as participações dela em seu show e sua no show dela?
Adriana e eu já nos conhecemos há alguns anos em Lisboa onde eu cantei para ela numa casa de Fados. Depois ela foi a minha convidada no concerto do Palau de la Musica de Barcelona, no Festival Unicas, no ano 2007. Sou uma grande admiradora do seu trabalho, cheio de talento e sensibilidade. Seguramente faremos uma colaboraçao cantando alguma musica do repertório uma da outra. Tudo será decidido na energia do momento do nosso encontro em Porto Alegre.
4 - Alguns lhe consideram como uma das principais responsáveis pelo caminho da renovação da música portuguesa. Você concorda com isso e qual a sua proposta para a renovação da música portuguesa?
Nao falarei de mim propria mas o que dizem os livros que agora se publicam em Portugal sobre o Fado é que o que se chama « Novo Fado » começou com o meu primeiro disco em 1991, quando o Fado nao estava na moda nem era parte do fenômeno da World Music. Estou entre Amalia (Rodrigues), que colocou o Fado em quase todo o Mundo num nível insuperavel , e a nova geração. O fado que eu cantei e canto (tendo como principal instrumento a palavra dos poetas que escrevem especialmente para o meu trabalho) nunca foi a resposta a uma demanda da industria discografica ou cultural. Nao sabia se haveria um publico para o meu Fado quando comecei.
Canto o Fado para comunicar com o Mundo e gosto de através dele dialogar com outras disciplinas artisticas de outros paises, com outros artistas, desde Bill T.Jones a Fanny Ardant ou Maria de Medeiros. Desde Patrice Leconte a Maria Joao Pires. O meu fado que respeita os profissionais das casas de fado de Lisboa, tem de ser universal , pois assim eu sinto o mundo. É uma simples linguagen para falar da vida e ser compreendida em Tokyo, em Nova York , em Porto Alegre etc. Cantar o fado é um meio , um instrumento cultural , nao é um objectivo. Nao procuro ter uma voz limpa ou perfeita Gosto de cantar como Maria Madalena, nao como a Virgem Maria …


5 - Para que caminho deve apontar a tua música no próximo registro em disco?
Nao faço a mínima ideia ainda ( risos) De momento estou metida em varios projectos muito diferentes entre si ( Chopin,Musica Barroca, participaçao num filme de John Turturro sobre musica napolitana, um documental que vou fazer sobre o fado no femenino etc). Nao sei se os novos concertos serão gravados, nao é essa a minha preocupação. Sou sobretudo uma intérprete de palco, é aí que reside a minha força que depois pode ou nao vir a transformar-se num disco, DVD, etc
Talvez um disco brasileiro inspirado por Clarice Lispector, Manoel de BArros, Raduan Nassar, Tarsila do Amaral….. quem sabe o que levarei comigo desta viagem ( sorriso) Gostaria muito de conhecer o Chico Buarque….. Sou uma admiradora da música brasileira e gostaria de vir mais vezes a este país.

quarta-feira, agosto 05, 2009

A Magia Inebriante do Vinho


Texto escrito para a Fenavinho 2009 e não publicado:


A MAGIA INEBRIANTE DO VINHO


Quem já bebeu e celebrou com vinho sabe as transformações que ele opera no ser. Quem não bebeu, não sabe o que está perdendo. O vinho é uma bebida mágica que atravessa os tempos e inebria a história.

O espetáculo cênico da Fenavinho: Ópera Popular do Vinho – Mito e Magia – mostra a história do vinho desde o homem primitivo, passando pelos rituais pagãos aos deuses e faraós e depois cristão até a vinda dos imigrantes italianos para transformar Bento Gonçalves na Capital Nacional do Vinho no século 19.

A uva virou vinho, o vinho foi bebido em rituais, foi santificado transformando-se no Sangue de Cristo e foi o norte dos italianos que deixaram a sua terra natal para plantar a semente das suas vidas em Bento. Os seus habitantes trabalham pelo vinho, rezam com o vinho e festejam com o vinho. É a bebida ritual. Bebida santificada. Bebida que dá o sustento ao seu povo. Bebida benta.

O vinho com sua magia inebriante aparece em todo o seu esplendor na Ópera Popular do Vinho. O homem primitivo vem primeiro, transformando tudo, colhendo a uva que cai na terra e bebendo o suco fermentado do fruto da videira. Assim, aquele homem rústico descobriu a magia, acessou ao estado fantástico do ser, a essência, a transcendência.

O espetáculo segue mostrando a bebida como ritual para os deuses gregos e romanos – Dionísio e Baco – e para os faraós. A consagração para os cristãos é quando o vinho se transforma no Sangue de Cristo. Os sinos dobram por este milagre.

Os italianos aceitam este cálice e vão trabalhando, bebendo e rezando, firmando sua crença, até que uma praga os obriga deixar o seu país em navios a vapor, carregar em mudas de videira o seu sonho e chegar a uma cidade abençoada.

Na representação, Bento Gonçalves se ergue em torno do cultivo da videira e passa a ser a Capital Nacional do Vinho. Som, luz , cor, vinho, festas, carnaval, carros alegóricos representando carruagens, navios, a Pipa Pórtico da cidade. Um clima de enlevo e grande celebração com todos reunidos durante 1h20min em torno deste líquido precioso que inebria a alma e nos transforma em seres mais plenos.


LUIZ GONZAGA LOPES
JORNALISTA







O VINHO PELOS PENSADORES


“In vino veritas.” (“No vinho, a verdade.”)(Plínio, o Velho)


"O vinho é o amigo do moderado e o inimigo do beberrão."
(Avicena)

"Os vinhos são como os homens: com o tempo, os maus azedam e os bons apuram." (Cícero)

"O vinho é a prova constante de que Deus nos ama e nos deseja ver felizes." (Benjamin Franklin)

"O bom vinho é um camarada bondoso e de confiança, quando tomado com sabedoria." (William Shakespeare)

"O vinho é o sangue da terra." (Plínio)

"O vinho consola os tristes, rejuvenesce os velhos, inspira os jovens, alivia os deprimidos do peso das suas preocupações." (Lord Byron)

"O vinho tem o poder de encher a alma de toda a verdade, de todo o saber e filosofia." (Jacques-Bénigne Bossuet)

sábado, junho 27, 2009

História infantil em concepção



Esta é uma história infantil que está sendo gestada. Em primeira mão, algumas linhas:


João Livrinho

João Livrinho era um menino muito bonito, cheio de conhecimento, todo ajeitadinho. No inverno, usava dois tipos de capas, uma dura, para evitar a chuva e a ação do tempo, e a outra mais molinha, uma brochura, que aderia mais ao seu corpo e mexia mais quando caminhava.
Infelizmente, João Livrinho não era tão notado pelos seus coleguinhas. Eles pouco davam bola para o garoto. Só era percebido, quando a professora dizia para eles olharem para ele, para lerem e interpretarem o colega. Nem precisa dizer que João Livrinho se sentia super importante. Dava para ler nas suas entrelinhas, um sorriso com o cantinho da boca. Mas a alegria durava pouco.
Batia o sinal para o recreio e ele ficava anônimo. Muita lutinha, correria, mas ninguém vinha falar com ele. E todo o conhecimento que ele tinha era desperdiçado, pois era obrigado a falar sozinho e a se abrir com o vento e com as árvores ao seu redor.
As árvores que eram maltratadas pelo pai de João, o seu Celulose. Ele precisava da madeira das árvores para fazer o papel, que era o seu ganha-pão. Uma vez, o pai teve uma conversa com o filho tentando convencê-lo que a sua empresa fazia reflorestamento, mas como eram eucaliptos, as reservas da água do solo acabavam secando e a natureza sofria mais ainda.
João que era puro conhecimento, sempre tentava dizer para o pai, que o caminho era a reciclagem, utilizar papéis já usados, mas o pai ficava impaciente, pedia para ele não se meter em assunto de gente grande. Às vezes até lhe dava uma surra, que as crianças precisavam ter limites. João chorava no cantinho com cuidado para não molhar as páginas do livrinho que sempre carregava.
Ao dormir, João era tantas histórias ao mesmo tempo. Em algumas, ele era o personagem principal, um cavaleiro ecológico, que cavalgava pelas beiras de rios, impedindo as pessoas de jogarem garrafas plásticas, as pets, na beira.
No sonho, chegava até a ir aos supermercados pedir para que as pessoas comprassem garrafas de vidro. Se comprassem as plásticas, ele grudava um adesivo nas garrafas, dizendo para que eles separassem elas do lixo orgânico: restos de comida, folhas e outros organismos vivos, e também dos papéis e do papelão.
Outras vezes era Dom Quixote, o cavaleiro espanhol; Phileas Fogg, o homem que viajou o mundo em 80 dias; ou até Alice, a menina que mergulhou num mundo de maravilhas. Era um sonhador com páginas acordadas.
Um dia, João Livrinho decidiu pedir para sua mãe, dona Impressora para organizar uma festa que reuniria os seus familiares. Seria uma festa chamada Biblioteca. Todos agrupados, alguns parentes convidando um tio de Livrinho, o senhor Romance, para dançar; outros querendo dançar com a sua tia, dona Poesia. Festa animada, cheia de sopa de letrinhas para comer e de suco de palavras para beber.
A festa corria às mil maravilhas, mas Livrinho tinha muitos planos de levar os seus primos e amigos para tomar um banho de páginas, como eram chamadas as piscinas do clube que ele freqüentava. Lá, entre brincadeiras como bombinhas e caldinhos, Livrinho teve uma idéia de reunir mais chegados para uma aventura para salvar a natureza, principalmente as árvores e os lixões, das ações destrutivas dos homens, muitas até por desinformação e falta de campanhas de conscientização.

Os meninos todos concordaram e também uma amiga e uma prima. Éramos seis agora. Todos com uma grande idéia para salvar os pulmões do mundo.

quarta-feira, junho 10, 2009

Tempestade de lágrimas

O que Clint Eastwood conseguiu ao dirigir e atuar em “Pontes de Madison”, o diretor George C. Wolfe tentou, mas ficou no meio do caminho. O filme de Eastwood, a partir do romance Robert James Waller, foi um melodrama sério, que tira o máximo da narrativa de amor entre um fotógrafo e uma mulher, recuperada pelos filhos dela. Em “Noites de Tormenta” (“Nights in Rodanthe”). Com a dupla de “Infidelidade” - Richard Gere e Diane Lane – à frente do elenco, Wolfe adapta o romance de Nicholas Sparks, sobre uma artista plástica e um médico, que encontram sozinhos numa pousada, durante as tormentas de Rodanthe, no estado americano da Carolina do Norte, passam a ter um nova chance de encontrar o amor. Adrienne Willis (Diane Lane), tenta se recuperar da morte do pai e da traição do marido Jack Willis (Christopher Meloni) e se oferece para cuidar da pousada da amiga Jean (Viola Davis), que tem a reserva de apenas um hóspede, o médico Paul Flanner (Richard Gere). Ele foge do que a sua vida se tornou, após um suposto erro médico e vai tentar refazer o erro, conversando com o marido da paciente que morreu na sua mesa, Robert Torrelson (Scott Glenn) . Os dois estão em busca de encontrar a si mesmo, na relação com os seus defeitos, suas virtudes e com suas famílias. Os méritos do filme são a boa química entre Diane e Gere. (eles dizem que a afinidade deve ter vindo de vidas passadas), a trilha sonora baseada no jazz de Dinah Washington, Benny Brook e Count Basie e os cenários paradisíacos, numa fotografia que privilegia o mar, os bancos de areia e o pós-tormenta. Os pecados são a falta de profundidade do drama, a resolução fácil de alguns nós narrativos e a provocação gratuita a uma tempestade de lágrimas, sem que a história pudesse conduzir até isto.

quarta-feira, maio 13, 2009

Oasis brilha como Supernova


Para um público que esperou 15 anos para ver de perto o britpop do Oasis e os destemperados e irreverentes manos Noel e Liam Gallagher, a banda de Manchester brilhou como uma estrela Supernova. Aliás, Champagne Supernova foi a última música própria, a vigésima do cardápio de 21 canções em 1h45min, no show desta terça-feira, 12, no Gigantinho, em Porto Alegre.
Diante de 12 mil pessoas, a banda foi precedida pela Cachorro Grande, o correspondente gaúcho do Oasis, que tocou 12 músicas durante 45 minutos, fechando com a clássica beatle "Helker Skelter". Às 21h40min (em ponto!), começaram os primeiros acordes da instrumental Fuckin´the Bushes e o público formado basicamente por gente com idades entre 20 e 40 anos se agitou. A partir de "Rock´n´Roll Star" foi uma alternância de sucessos dos primeiros discos e seis músicas novas do disco "Dig Out Your Soul" (2008), como "The Schock of The Lightning" e "Ain´t Got Nothin" e "Waiting for the Rapture".
Com seu fleumatismo, as mãos para trás ou no bolso, Liam arriscou um "Obrigado, Porto Alegre" e também apontou para o público quando nas unânimes "Wonderwall" e "Don´t Look Back in Anger" a massa cantou, empunhhou suas câmeras e celulares, tentando se beliscar para ver se não estava sonhando. Encerrar o show com Beatles parecia ser a tônica da noite e então como já estava previsto no set list da turnê brasileira, "I am the Walrus" foi a apoteose. Destaque positivo para a qualidade do som e da luz. Destaque negativo para as caixas de som na frente dos dois telões e também para a beberrança desenfreada e a pista muito cheia, que ocasionou dezenas de desmaios principalmente nas mulheres. Longa vida ao Oasis, antes que os irmãos briguem para valer.

segunda-feira, março 02, 2009

São Paulo

São Paulo

Cidade amada, onde cada esquina se dobra para a cultura e o povo é cada vez mais cosmopolita e contemporâneo. Alguém quer mais. Para mim está ótimo. Fico aqui uns dias. Maravilha.

quinta-feira, fevereiro 19, 2009

Noite, simplesmente

É uma noite, simplesmente
Faltam quatro dias para o Oscar
Novos capítulos na novela da LIC estadual
A Opus anunciou os shows de 2009
O amor é lindo
Kate Winslet será a melhor atriz
Vou passar batido pelo Carnaval
Estou tomando um espumante
O calor nem é tanto assim
Deus existe
Amanhã, vou a um casamento de um casal bacana
O Inter perdeu
Enfim, uma quarta-feira para afundar o sofá
Au Revoir

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

A leitura libertou uma alma


Qualquer que seja o veredicto do Oscar sobre o filme O Leitor, o meu já está tomado, o filme alfabetiza em torno de uma grande história. É de uma rara beleza e soa realmente romântico o caso que a guarda nazista Hannah Schmitz tem com o jovem Michael Berg. Kate Winslet dá uma pureza e uma dureza a sua personagem que deixa-nos de queixo caído. Esta atriz vem amadurecendo a cada trabalho, ao contrário de Nicole Kidman, em descenso. A redenção e a lição mais contundente está na relação da personagem com as letras. Ela pedia para as prisioneiras de campos de concentração lerem os livros para ela. Depois para o jovem, antes de transarem, e finalmente aprendeu a ler pelos livros. Baseado no romance homônimo de Bernard Schlink, que ainda não li, é uma peça rara este filme e merece a atenção especial de todos que ainda não o viram. O filme me alfabetizou de novo (com lágrimas, diga-se de passagem) quando impelida por fitas mandadas por Michael, já crescido, vivido por Ralph Fiennes, resolve mandar fitas-cassete (Basf laranjinhas, lembram!) com os livros lidos por ele (A Odisséia, de Homero; "Metamorfose", de Kafka; e "A Dama e o Cachorrinho", de Tchekov. Todos precisamos ler para viver. Esta película nos ensina que ler é tão importante quanto respirar e qualquer esforço para manter este hábito e prazer sempre vai valer à pena. Stephen Daldry conseguiu cativar mais um leitor pela tela grande e eu espero que os leitores de Textostelona também sejam receptivos a este sensível filme que retrata os horrores da Segunda Guerra pela ótica de uma guarda analfabeta que acalmou sua alma na prisão com a leitura.

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Goya politicamente correto




O Prêmio Goya entregue horas atrás no Palacio de Congresos em Madrid premiou as obras politicamente corretas. Transmitido ao mundo pela TVE espanhola, a cerimônia teve muito humor com a mestre de cerimônias Carmen Macchi e com algumas esquetes dos humoristas do Muchachada Nui, durante pouco mais de três horas. O grande vencedor foi "Camino" com seis prêmios. O filme dirigido por Javier Fesser levou as estatuetas Goya de Melhor Filme, Diretor, Roteiro Original, Atriz (Carme Elías), Ator Coadjuvante (Jordi Dauder), Atriz Revelação (Nerea Camacho). Ao receber os prêmios de melhor diretor e roteirista, Javier Fesser agradeceu e dedicou o prêmio à personagem real que inspirou o filme, a menina de 13 anos, Alexia González-Barros, cuja doença foi manipulada pela organização Opus Dei. O filme ainda não tem estreia prevista para o Brasil.
Outros prêmios politicamente corretos foram para atores de países de língua espanhola que têm bastante trânsito em Hollywood, como foi o caso do de Melhor Ator para Benicio Del Toro por "Che, o Argentino", de Steven Soderbergh. Del Toro disse ser uma honra receber o Goya, quis compartilhar o prêmio com os demais indicados apesar de não ter visto nenhum dos filmes (crítica implícita aos problemas de distribuição de filmes não-americanos). Disse também que é muito importante que o filme "Che" tenha boa aceitação nos Estados Unidos (outra sub-liminaridade ideológica). Penélope Cruz foi a Melhor Atriz Coadjuvante por "Vicky Cristina Barcelona", de Woody Allen, e o Melhor Filme Europeu foi "4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias", do romeno Cristian Mungiu, que esteve em cartaz em 2008 no Brasil, e trata dos abortos ilegais na Romênia.
O politicamente correto acompanhou a escolha de melhor canção original "A Tientas", do filme "El Truco del Manco" e do protagonista, o rapper e deficiente físico Juan Manuel Montilla, Langui, que agradeceu aos seus pais por lhe terem feito tão forte, mas teve dificuldades de acesso a escadaria do local da entrega dos prêmios. O momento mais emocionante da noite foi a homenagem ao cineasta Jesús Franco com o Goya Honorário. O diretor que em 50 anos de carreira fez mais de 188 filmes entre curtas e longas de todos os gêneros disse nunca ter pensado em receber este tipo de prêmio, oferecendo-o aos mais de quatro mil curta-metragistas da Espanha.

Veja a relação completa dos prêmios

- Mejor Película: 'Camino'

- Mejor Director: Javier Fesser

- Mejor Actor: Benicio del Toro por 'Che, el argentino'

- Mejor Actriz: Carmen Elías por 'Camino'

- Mejor Actor de Reparto: Jordi Dauder por 'Camino'

- Mejor Actriz de Reparto: Penélope Cruz por 'Vicky Cristina Barcelona'

- Mejor Actor Revelación: Juan Manuel Montilla 'Langui' por 'El truco del manco'

- Mejor Actriz Revelación: Nerea Camacho por 'Camino'

- Mejor Director/a Novel: Santiago A. Zannou por 'El truco del manco'

- Mejor Película Europea: '4 meses, 3 semanas, 2 días'

- Mejor Película Hispanoamericanea: 'La buena vida'

- Mejor Guión Original: Javier Fesser por 'Camino'

- Mejor Guión Adaptado: Rafael Azcona y José Luis Cuerda por 'Los girasoles ciegos'

- Mejor Película Documental: 'Bucarest, la memoria perdida'

- Mejor Corto Documental: 'Héroes. No hacen falta alas para volar'

- Mejor Montaje: A. Lázaro por 'Los crímenes de Oxford'

- Mejor Fotografía: P. Femenia por 'Sólo quiero caminar'

- Mejor Música Original: R. Baños por 'Los crímenes de Oxford'

- Mejor Canción Original: 'A tientas' por 'El truco del manco'

- Mejor Dirección Artística: A. Gómez por 'Che, el argentino'

- Mejor Diseño de Vestuario: Lala Huete por 'El Greco'

- Mejor Maquillaje y/o Peluquería: J. Quetglas y N. Sánchez por 'Mortadelo y Filemón'

- Mejor Sonido: Daniel de Zayas, Jorge Martín y Maite Rivera por '3 días'

- Mejor Dirección de Producción: R. Romero por 'Los crímenes de Oxford'

- Mejores Efectos Especiales: Romanillos, Costa, Quetglas, Diaz, A. Grau y Ch. Remacha por 'Mortadelo y Filemón'

- Mejor Película de Animación: 'El lince perdido'

- Mejor Cortometraje de Ficción: 'Miente' de Isabel de Ocampo

- Mejor Cortometraje de Animación: 'La increíble historia del hombre sin sombra' de José Esteban Alenda

- Goya de Honor: Jesús Franco




(FONTE: WWW.ELPAIS.COM, DO JORNAL ESPANHOL EL PAIS)

terça-feira, janeiro 27, 2009

Lacunas

Não há o que preencher nestas noites quentes de Porto Alegre. Lotar blogs com considerações, pegar um papel em branco e adorná-lo de palavras, crivar a ausência de balas. Não, não há nada o que fazer. Precisamos apenas esperar. Dias melhores. Verão. As notícias vêm tristes nas agências de notícias. Elas sufocam. Sou jornalista e entendo perfeitamente para que servem as notícias. Ouço ainda muitos ruídos, uma algazarra num salão de festas qualquer, batidas de portão - chegadas e partidas - só não entendo o que fazem os anjos numa hora destas. Alguns estão aqui à minha volta. Não se manifestam, mas eu os sinto. Sopram em forma de brisa atenuando o calor. Queria tocar o mundo, passar o dedo vagarosamente no céu de estrelas. Não posso. Então manuseio este teclado em busca de preencher algumas lacunas da noite. Vocês me entendem, não entendem?

quinta-feira, janeiro 22, 2009

Rejeitado no "Poema no Ônibus"

Onibusca


Homem busca
amparo no transporte
a cadeira no lombo
rodas no asfalto
móvel pelas ruelas
cidadão crédulo
sem eira nem sobreira
que, onipresente,
ascende ladeira
a bordo, sem abordar
nada
porque esvaziou
com o tempo
a vontade de ser carregado
neste coletivo de onipresenças

Ônibus do Tempo


Ônibus do tempo

Põe o mar de gente
à espreita do falho poema
que se desloca lúcido pelo ônibus do tempo

Na cidade do vento
a catraca cobra justo a brisa
que é o vale-transporte
do silêncio pela erosão dos séculos

Poltronas alheias à vida
dúvida de minutos
Paradas com seres àvidos
Embarcando nas brechas do calendário
Amnesiestesiadas e transportáteis

Luiz Gonzaga Lopes

Ombros Largos


Ombros largos (2ª versão)

Coube-me a tarefa de adoecer o verbo
até confessar minhas entranhas
Não entorpeci a semente,
apenas a distraí de mim
Nesta posse longínqua em que
proliferam as palavras com adubo,
enquanto nego carícias
com minha mão cega
*
Nesta idade apenas carrego sombras
enlouqueço os pronomes em busca de par
Deixo a tampa aberta do sonho, sem olhar
Para o destempero da boca aleatória
Sobrevive a mim, a calma,
Seca superfície da alma
*
Quando há cisco no meu tombo,
enrijecem grilhões em meus ombros
Obra súdita, esta de apaziguar o cílio
No suplicante piscar da falta
ardem as cachoeiras da troca,
quando um pombal arrulha no peito
e sorrisos são distribuídos borbulha
Com frescor de sombra
*
Não degrado a ausência com perguntas
Inconsciente a esmolar à memória
Nuvens de esquecimento pousadas no umbral
Ombro que me ampara
na vulcânica vida que lava e seca
a perda
Língua na nuca do infinito

Luiz Gonzaga Lopes

Poema é fenda

Um poema é uma fenda
Abre os poros do tempo
Quando me vejo pássaro
Asas saem da minha orelha
e o poema insiste
Mansinho como brisa
em me tentar
Se insinua pelos dedos
Anseia por teclados,
mas encontra a caneta

Poema é fenda
que se fecha
quando cai
na página limpa
bordada a nanquim
Se os anjos matassem
Atirariam em mim
mas não acertariam
Como é doce a tinta
do sangue

Quem adoça o poema
Não tem diabetes de ser
Humaniza e saboreia
A fenda sumiu
Jorrou uma letra
Meu tempo acabou

sexta-feira, janeiro 09, 2009

NOITE ALTA


A noite já se faz alta e Bordelino espreita por entre as coxias. Ele não quer entrar em cena. Diz que este narrador não pode expor as suas intimidades, os seus passeios pela noite de Porto Alegre. Aquelas voltas de carro pela Farrapos às 5h da manhã. Ele se revolta. Olha para o narrador, que olha para mim e pergunta: E agora?
Respondo: Vamos ter que adiar um pouco a estréia de Bordelino no blog.
Bordelino dá um sorrisinho de soslaio, nos observa com cara e jeito de vencedor e desde as escadas calmamente. O narrador e eu nos olhamos com caras tristes, mas ficamos contentes, pois ambos estamos com sono.

quarta-feira, janeiro 07, 2009

NOITES

Noites de Verão

Assim quentes
intensas
distópicas

Suando sempre
Cervejosas
No bar
Sacripancas

Lembrando todos
de que o livre
tem privilégios

sobre o rude
What night
Enlightness
Unforgetable

segunda-feira, janeiro 05, 2009

Quantas vidas precisamos?


Amigos leitores

Após três meses longe desta comunicação blogueira tão necessária, estou de volta para uma minirreforma no meu acordo ortográfico com a virtualidade. Como o TextosTelona do título do blog, as duas coisas que mais me motivam a escrever aqui são a literatura e o cinema, além da vida que é a matéria-prima das duas anteriores. Num domingo metade chuvoso, metade nublado com nacos de sol, botei os pés para fora de casa, deixei-os pisar o chão de um ônibus e num movimento de 20 minutos já estava às portas do Unibanco Arteplex para me estarrecer diante da tela grande.
Desta feita, o que tive diante de meus olhos foi o novo filme de Gabriele Muccino, "Sete Vidas" (Seven Pounds). Na sua segunda parceria com Will Smith, ator que vem levando a carreira de forma equilibrada, um blockbuster e um filme de sensibilidade.
Neste, o filme de sensibilidade, Smith é um homem que perdeu o sentido da vida, quando provoca o acidente que mata a mulher. Então, ele cria uma teia humanitária, de ser anjo da guarda e de escolher pessoas em dificuldades para lhes dar o que é mais precioso, o retorno a uma vida saudável, seja financeira ou de saúde, escolhendo pessoas cujos órgãos não funcionam bem e que estão na fila de transplantes ou doadores.
A figura do anjo está um pouco em desuso, apesar da literatura especializada tentar dar um impulso a esta barroca figura. Por que não somos mais anjos? Quantas vidas precisamos para entender que muito precisa ser feito. Gabriele Muccino já tinha entendido muito bem estas coisas, quando filmou À Procura da Felicidade, há dois anos, com Will Smith protagonizando o cara que rala para criar o filho e recebe uma chance de trabalhar como corretor de valores pela sua habilidade com números.
Os anjos modernos sofrem, quebram suas asas, se desnudam, já não são mais barrocos, mas com certeza Gabriele Muccino conseguiu descobrir que o sexo dos anjos é o coração ou algum outro órgão vital para o corpo e para a alma.
Após o cinema, fui na Livraria Cultura e comprei um livro com dois textos inéditos (para mim) de Samuel Beckett, que serão assunto para um novo post.

Abraços nos homens
Beijo nas mulheres

Nos próximos dias, deve aparecer neste blog um personagem criado recentemente e que vai contar um pouco do lado underground de Porto Alegre. Bordelino é o nome dele.

Agora vou. Fui.

domingo, setembro 28, 2008

Parem!!!!!

A ordem de parada é destinada a tortura da campanha política. Hoje, tentei dar uma volta no Brique da Redenção, mas os jingles de candidatos nos carros de som passavam de 100 decibéis ou a sensação era essa. Não obstante isto, as insistências de santinhos para quem já tem candidato e não quer mudar o voto. Gostaria que o dinheiro aplicado em campanhas políticas tivesse um percentual de investimento de 20% nos problemas mais urgentes das cidades. Parem, por favor. Divulguem seus candidatos sem agredir o meio-ambiente e os meus tímpanos. Façam uma campanha mais limpa ou então larguem este osso, porque ninguém agüenta mais esta poluição visual e sonora. E que vença o melhor!

terça-feira, setembro 23, 2008

Entrevista com Eimuntas Nekrosius, diretor de Fausto


Esta entrevista foi feita por e-mail com o diretor lituano Eimuntas Nekrosius e publicada parcialmente na edição de domingo, 14, do jornal Correio do Povo. Nekrosius é diretor de Fausto, uma das cinco atrações européias do 15º Porto Alegre Em Cena, festival que terminou agora há pouco no Theatro São Pedro, com a escolha do 3º Braskem em Cena, com três prêmios para A Comédia dos Erros, do Studio Stravaganza (melhor espetáculo, melhor diretor para Adriane Motolla) e melhor ator (Carlos Alexandre). Heinz Limaverde e Sandra Possani, de A Megera Domada, foram respectivamente melhores ator e atriz. Heinz dividiu o prêmio com Carlos Alexandre. O Oigalê levou o júri popular com o espetáculo Miséria Servidor de Dois Estancieiros.

Acompanhe agora a entrevista com Nekrosius feita em inglês na semana passada

Luiz Gonzaga Lopes

1. We know Eimuntas Nekrosius was defined "a some kind of genious" by Arthur Miller when he visited Vilnius. Why he say this expression? Make some sense?
Miller visited Vilnius some 30 years ago or more. It was important visit for our theater, as his words said after he saw our performances played at that time opened the world for our theater. We started tour the world opening new festivals and countries with each year. I think just the time could define what is good in the arts, though in case of theater... I don‘t know if it‘s possible at all. Other arts are more powerfull and longlife – literature, paintings...


2. How are the main charateristics of this play "Fausto"?
In this performances we tryed with actors to go deep into the soul, thoughts of the man. The Man, doctor Faust, who is searching all his live, trying to find an answers to the questions that never leaves him quite. What is the world? Who is man in this life? What is the reason of human beeing? Even Goethe in his poem doesn‘t give any answers to these questions. So, we also don‘t give any recepies what is right or not. But for me was interesting to exame the beauty of the process of the research it self. As long as the man is acting, searching for the answers – he is alive and reasonable. When he stops – he dies.


3. Our people is specially connected with your two other plays presented in Porto Alegre - Hamlet e Othelo. Say us if it seems like that plays in estetic e language therms.
I don‘t follow any school of theater and also don‘t have my own fixed system of the work in the theater. Choosing the literature base for the new performance I look for the specific, unique theatrical language, that allows to speak and recover the main ideas of the drama in the most free way. Copearing with Shakespeare dramas Faust, may be, is more ascethic. In Othello and Hamlet we had castles, armies, ships, etc. Here we have Faust‘s study, Grethen‘s room, the cavern, jail... So, the main and most important „events“ happen inside of the Faust. Though of course these are all my performances, some actors are the same and I never run out of my self.


4. Could you talk about this trilogy.
Actually what was called by theater critics as a Trilogy is Hamlet, Macbeth and Othello, but I had no plans to create a Trilogy. Somehow it happened. I don‘t have a kind of long term plans what to stage next 5 or 10 years. Just finishing one show start to think what do to next.


5. How about your career and about your way of direct plays.
I said already, that I don‘t have any specific system. Just try to read the literature very carefully and understand what the author wanted to say and what could be interesting and actual for the modern people. Then we go to the rehearsals and try if it works or not.


6. Do you know Brazilian plays nowadays?
I‘m sorry, but I really don‘t know Brazilian theater well. It would be not honest to make any comments.


7. Tell us your concern or comments about Porto Alegre em Cena.
I have never been at the festival myself. But from the words of my actors I could understand that it‘s really great event, one of the most important that we had visited in South America. And of course always looking to the program of the festival, to the number of the theaters presented... it‘s very impressive. So each time having an opportunity to join the program of the festival we are happy to do it.

segunda-feira, julho 21, 2008

DREXLER




Leitores blogados

Estou meio sem palavras, mas abro uma exceção para falar das 2h20min que passei ouvindo canções quase intangíveis de Jorge Drexler. O uruguaio é um espetáculo, junto com os seus dois músicos-técnicos de som e mais a participação do Vitor Ramil. Junto com o satolepense, Drexler tocou e cantou três músicas, inclusive 12 segundos de oscuridad. Rolou Mi Guitarra y Vos, Deseo, Hermana Duda, La vida es mas compleja que parece e outras mais. O Teatro do Bourbon Country palpitou de emoção dos ávidos fãs (Lugar comum paca). Eu falei que estava sem palavras (adequadas). Bom, mas está começando o Festival de Inverno. O terceiro. O blog vai renascer das cinzas. Voltaremos, como diz aquele gourmet muito mais conhecido do que eu (apesar de ser anonymous)

Abraço.

quinta-feira, março 06, 2008

O poderoso chefão na versão negra

Considerado por alguns como uma versão mais atualizada de O Poderoso Chefão, O Gângster (American Gangster), dirigido por Ridley Scott (Blade Runner), recria a história real da trajetória de Frank Lucas, o mais famoso e impedioso negro da máfia do bairro do Harlem, em Nova York. Vivido pelo especialista em filmes de ação, o oscarizado Denzel Washington (Dia de Treinamento), Lucas era o motorista, segurança e cobrador do bondoso mafioso Bumpy Johnson. Quando este morre, ele decide empregar novos métodos para traficar heroína, a droga do momento no final dos anos 60. Para isso, decide comprar direto do Sudeste Asiático, pela via de militares que estão combatendo no Vietnã.
Inspirado nas grandes redes de lojas, o traficante consegue um produto com maior pureza e mais barato, o Blue Magic e constrói um império, intimidando aqueles que o intimidavam, fazendo com que a máfia italiana trabalhasse para ele, como é o caso de Dominic Cattano (Armand Assante, de Os Reis do Mambo). Como para cada veneno há um antídoto, o policial honesto Richie Roberts (Russel Crowe) de New Jersey cria um esquadrão especial anti-drogas atrás dos principais traficantes e acaba chegando em Frank Lucas e também na corrupção da polícia de Nova York, que acaba se apropriando da droga ou recebendo propina dos traficantes. Roberts acabou virando advogado de Lucas e os dois foram consultores da produção.
A direção de Ridley Scott acaba garantindo uma construção sólida, auxiliada pelo roteiro de Steve Zaillian (A Lista de Schindler), fazendo com que a narrativa detalhe os perfis de Lucas e Roberts até que eles se encontrem. No elenco estão ainda Cuba Gooding Jr., Josh Brolin, Ted Levine e Ruby Dee, indicada ao Oscar de melhor atriz coadjuvante.

O metal que nunca apaga

Iron Maiden leva…
os fãs ao êxtase…

O show do Iron Maiden, o segundo da história em Porto Alegre (o primeiro foi em 1992), deixou 15 mil pessoas em condição de êxtase, após 1h50 de show num Gigantinho superlotado e abafado, na noite de quarta-feira. A banda inglesa, que completa 30 anos de estrada em 2009, deixou os fãs com a certeza que o metal do Iron Maiden nunca se apaga. Após um show de abertura bem mais ou menos da filha do baixista Steve Harris, Lauren Harris, o Iron entrou no palco exatamente às 21 horas, com duas músicas do disco Powerslave - Aces High e Two Minutes to Midnight. O vocalista Bruce Dickinson corria de um lado para o outro no megacenário com tons egípcios da capa do disco de 1985, esbanjando energia para os seus 49 anos. É claro que os agudos mais difíceis passaram a ser feitos com a ajuda da platéia. …
Desfilando uma grande música atrás da outra, vieram a seguir Revelations, The Trooper, na qual empunha uma bandeira da Grã-Bretanha, Wasted Years e The Number of the Beast. No intervalo entre as músicas, Bruce teve tempo para brincar de falar ao celular com a sua mãe: ``estou tocando para 15 mil pessoas aqui em Porto Alegre, mãe!''. Seguiram-se Can I Play With Madness e Rhime of the Ancient Mariner. Nesta, o poema musicado de Samuel Taylor Coleridge com quase 14 minutos, teve um tratamento especial de luz púrpura e azul.…
Ao final de cada música, o público empolgadíssimo cantava Olê, Olê, Maiden, Maiden!. Fãs como o uruguaio de Montevidéu, Diego Russo, 23 anos, que toca guitarra, baixo e bateria em quatro bandas cover e viajou cerca de 900km para ver a sua banda preferida.…
Powerslave, Heaven Can Wait e Run to the Hills preparam o clima para Fear of the Dark, a música que mais teve coro na platéia, pois une duas gerações de fãs. Na música Iron Maiden, do disco homônimo de 1980, o gigante mascote Eddie entrou com roupa e pistola do disco Somewhere in Time, para o delírio do público. O bis foi econômico com Moonchild, The Clarvoyant e Hallowed Be Thy Name. O show terminou e os fãs foram para casa com a certeza de terem participado de um fato histórico. (Luiz Gonzaga Lopes)…

A Donzela de Ferro arrebata os fãs


Iron Maiden leva…
os fãs ao êxtase…

O show do Iron Maiden, o segundo da história em Porto Alegre (o primeiro foi em 1992), deixou 15 mil pessoas em condição de êxtase, após 1h50 de show num Gigantinho superlotado e abafado, na noite de quarta-feira. A banda inglesa, que completa 30 anos de estrada em 2009, deixou os fãs com a certeza que o metal do Iron Maiden nunca se apaga. Após um show de abertura bem mais ou menos da filha do baixista Steve Harris, Lauren Harris, o Iron entrou no palco exatamente às 21 horas, com duas músicas do disco Powerslave - Aces High e Two Minutes to Midnight. O vocalista Bruce Dickinson corria de um lado para o outro no megacenário com tons egípcios da capa do disco de 1985, esbanjando energia para os seus 49 anos. É claro que os agudos mais difíceis passaram a ser feitos com a ajuda da platéia. …
Desfilando uma grande música atrás da outra, vieram a seguir Revelations, The Trooper, na qual empunha uma bandeira da Grã-Bretanha, Wasted Years e The Number of the Beast. No intervalo entre as músicas, Bruce teve tempo para brincar de falar ao celular com a sua mãe: ``estou tocando para 15 mil pessoas aqui em Porto Alegre, mãe!''. Seguiram-se Can I Play With Madness e Rhime of the Ancient Mariner. Nesta, o poema musicado de Samuel Taylor Coleridge com quase 14 minutos, teve um tratamento especial de luz púrpura e azul.…
Ao final de cada música, o público empolgadíssimo cantava Olê, Olê, Maiden, Maiden!. Fãs como o uruguaio de Montevidéu, Diego Russo, 23 anos, que toca guitarra, baixo e bateria em quatro bandas cover e viajou cerca de 900km para ver a sua banda preferida.…
Powerslave, Heaven Can Wait e Run to the Hills preparam o clima para Fear of the Dark, a música que mais teve coro na platéia, pois une duas gerações de fãs. Na música Iron Maiden, do disco homônimo de 1980, o gigante mascote Eddie entrou com roupa e pistola do disco Somewhere in Time, para o delírio do público. O bis foi econômico com Moonchild, The Clarvoyant e Hallowed Be Thy Name. O show terminou e os fãs foram para casa com a certeza de terem participado de um fato histórico. (Luiz Gonzaga Lopes)…
ENERGIA: o cinquentão Bruce Dickinson corria como um menino no palco do Gigantinho…
Wesley Santos/Divulgação…

domingo, dezembro 23, 2007

Davis contra Golias


Após a consagração silenciosa de Crash no Oscar, o roteirista e diretor Paul Haggis (autor do roteiro de Menina de Ouro, entre outros) passa a cavoucar as feridas da guerra mais recente envolvendo os norte-americanos, a do Iraque, no filme No Vale das Sombras (In the Valley of Elah). Utilizando excelentes metáforas como a cena em que o sargento reformado Hank Deerfeild (um cada vez mais econômico, porém não menos orgânico Tommy Lee Jones) ensina um salvadorenho a colocar a bandeira americana do jeito certo, pois de cabeça para baixo quer dizer que algo vai mal. E algo realmente vai mal na cabeça dos soldados que foram novamente para uma guerra sem sentido, tanto que em momento crucial do filme, Hank resolve reensinar o salvadorenho a colocar a bandeira de cabeça para baixo.
Nesta obra, Haggis baseia-se em relatos reais, construindo com Mark Boal a história de Hank (Jones), que é o pai do soldado Mike Deefeild, procurando as pistas de seu filho desaparecido. Para isso, vai até uma unidade de infantaria do Novo México investigar com os seus colegas de batalhão. Lá, as coisas tornam-se um pouco mais complicadas, pois o desaparecimento passa a se configurar no assassinato brutal que revolta Hank e sua esposa Joan (Susan Sarandon).
É na reconstrução da história com auxílio da detetive Emily Sanders (Charlize Theron) é que o filme ganha o fôlego necessário para se transformar numa obra densa, que questiona o pós-guerra (boa parte dos soldados voltam do Iraque com problemas de stress, drogados ou às voltas com o álcool, festas e prostituição). Se fosse só isso, nenhum problema, mas é que o verbo matar passa a ser conjugado de uma forma muito estranha e alguns códigos de guerra são quebrados, quando os itens são tortura de soldados iraquianos e morte pela morte.
Mike, o filho de Hank, não era nenhum santo e para se auto-afirmar na guerra passa a ter o “divertido” apelido de Doc, abreviatura de Doctor, o doutor que não opera, nem cura, mas comete algumas atrocidades como tortura. Haggis deixa claro que a sua crítica de guerra é o matar e o poder sobre a morte e as conseqüências sobre os envolvidos, como num interrogatório da detetive Emily (Theron).
O manto de bondade dos Estados Unidos da América caiu no final da Segunda Guerra Mundial. No filme de Haggis, com a fotografia mais áspera de Roger Deakins e a música de Mark Isham, fica evidente que os passos do bom cinema americano já estão deixando pegadas há muito tempo no solo de mocinhos do Tio Sam. A auto-crítica é uma das principais características do ser humano e também dos cineastas e dos artistas em geral. Bela obra de Paul Haggis, que se ergue como um dos grandes diretores autorais desta década, que novamente tem traços do recurso Magnólia/Crash, a música que integra partes do filme, que no caso é Lost, interpretada por Annie Lennox.
O lado fabular e moral da história do filme está no que seria o título original em inglês: No Vale de Elah, quando Hank não consegue contar uma história para o filho de Emily dormir, ele cita a clássica de Davi contra Golias, que derrubou o gigante com estilingue e pedras, no Vale de Elah, na Palestina. As pedras de Davi são as reestruturações das pessoas e das famílias envolvidas com as voltas dos soldados ou com as perdas dos seus filhos e como superar tudo isto numa guerra que vai matando aos poucos, por dentro, antes mesmo de uma granada ou um tiro de fuzil ecoar em solo iraquiano.

segunda-feira, dezembro 10, 2007

A morte do Ano


Ele estava terminando. O Ano estava se consumindo e nenhum remédio iria curá-lo. Da masmorra das suas memórias, conseguia lembrar de CPMF, do título do São Paulo, do desastroso primeiro ano governo Yeda Crusius, da Copa América, da violência urbana e outros pequenos estilhaços de uma existência pungente nas pessoas que nele viveram neste Brasil mais baixos do que altos. A gota letal seria de um lenitivo chamado Dezembro e que tinha como contra-indicações as Festas de Fim de Ano (uma espécie de velório antecipado) e o Natal (ah! esta cruel lembrança de um nascimento que ocorre no fim da vida do meu amigo Ano). Pronto, falei! Faltam 21 dias. Crônica de uma morte anunciada. Já estou vendo a São Silvestre (foto) na tevê e os fogos de artifício (estes ardis ideais de felicidade que nos queimas e consumem a todos, pois não dão esperança só as tiram). Todos esperam que o Ano se acabe. Eu queria ficar mais um pouco com ele. Dizer o que não achei certo para que ele pudesse corrigir alguns dos seus defeitos, o de ter nascido ímpar, por exemplo. Mas ainda não deu. O trabalho e cotidiano me impedem de pensar no Ano e de acompanhar atento o seu fim. Que todos prestem atenção na dor de um agonizante e que não me venham com festinhas, champanhe, porquinho, lentilha e mais fogos pelo Outro que vai nascer (não o Jesus, é claro, mas sim este Outro que também vão chamar de ano, apenas mudando o número). Eu sei que está acabando, mas vou ficar ao seu lado no leito de morte anual. E respeitem a minha dor!

segunda-feira, novembro 12, 2007

Até quando?


Com esta simples pergunta pretendo indagar sobre onde a fúria e o ódio cego entre as torcidas (des) organizadas vai nos levar. Outro torcedor morreu na Itália e milhares já morreram no mundo por estarem com a camisa do seu clube do coração. Atualmente, já não interessa o futebol, que recebe uma cotação secundária. Os torcedores, boa parte jovens (com hormônios borbulhando) saem de casa pensando em como vão fazer para provocar o rival, em quais os xingamentos novos e na velha máxima de "é matar ou morrer".

Algumas soluções estão sendo estudadas. Os grandes clássicos como Gre-Nal, Fla-Flu, Atlético x Cruzeiro, Corinthians x Palmeiras terem apenas a torcida do time mandante. A escolta ou o impedimento de torcidas viajarem para acompanhar o seu time. A expulsão de todos os baderneiros após identificação via câmera nos estádios. Acredito que não há solução aparente, mas acho que o futebol pode ser dissociado da violência, com a conscientização a respeito da desportividade e a aferição de um menor valor de ganhar ou perder, pois afinal o futebol é um esporte e não uma atividade de gladiador. Mas vai dizer isto para nós, homens, quando o nosso time está perdendo. Pensadores do esporte e da segurança. É hora de vocês trabalharem arduamente. Boa sorte!

sábado, outubro 20, 2007

Primeiro livro na praça



Amigos, está chegando a hora. No dia 10 de novembro, às 19h30, vou autografar Amor sobre tela no pavilhão de autógrafos da 53ª Feira do Livro de Porto Alegre. Este meu primeiro livro é resultado de oito anos de trabalho, foi reescrito algumas vezes e condensado em 185 páginas (dava para cortar mais); e tem capa da artista plástica Bárbara Nunes.

Segue uma pequena sinopse da obra para vocês:

De que o amor é feito? Esta pergunta não tem resposta. De que trata este livro? Olivares e Vera são um escritor e uma artista plástica. Eles vivenciam um amor de verão. Os rastros desta história passam a ser o norte da vida de Demóstenes, um jornalista cultural e aspirante a escritor, contratado para escrever um romance sobre este amor. Durante algum tempo, ele irá buscar juntar peças de um quebra-coração. Para isso, vai imergir nos fatos e no universo de referências do casal: de Fernando Pessoa a Lobo Antunes e de Boticelli a Krajcberg. Nesta busca, pode perder a própria identidade, mas tentará de todas as formas juntar o par pela última vez, quando um ardil os conduz a um surpreendente final.

domingo, outubro 14, 2007

Blue or Down

Coisas que nos deixam para baixo:

- Demissões injustificáveis
- Empate no finalzinho
- Telefonema na hora da transa
- Contas a pagar (muitas, atrasadas, de preferência)
- Mercado ou banco fechado
- Falta de visão empresarial ou de mercado
- Espetáculos amadores feitos por profissionais

Por enquanto é só