sexta-feira, agosto 17, 2012

As voltas que os mundos podem dar


Os filmes coral, no qual diversos personagens aparecem e se conectam em algum ponto do filme são na maioria das vezes daqueles que nos motivam a ir ao cinema e pensar sobre o fato de uma palavra ou ação em um lugar poder desencadear uma tragédia em outra cidade ou país. Robert Altman ("Short Cuts"), Paul Thomas Anderson ("Magnólia") e "Alejandro Gonzáles Iñàrritu ("Babel") são destes exemplos bem-sucedidos. No terceiro grande passo da sua carreira hollywoodiana, Fernando Meirelles ("Ensaio Sobre a Cegueira" e "Jardineiro Fiel") resolveu encarar a estrutura coral e contar nove histórias que se entrelaçam, com personagens que se conectam ou se deslocam por cidades como Viena, Paris, Londres, Bratislava, Denver e Phoenix.

Foto: Paris Filmes / Divulgação

A estrutura de construção coletiva da história no roteiro de Peter Morgan ("A Rainha"), com cortes para pequenas histórias parte de duas irmãs eslovacas, uma que irá se prostituir e a outra que irá se apaixonar pelo guarda-costas de mafioso russo. A conexão com esta história será o primeiro cliente da prostituta eslovaca, Mirka, em Viena, que seria Michael Daly (Jude Law), mas uma chantagem de dois vendedores (Moritz Bleibtreu e Peter Morgan) para fechar um contrato acaba deslocando a história para a culpa de uma possível traição à esposa Rose (Rachel Weisz), editora de revista de moda. 

Em Londres, vira trama de dupla traição, pois Rose trai Michael com o fotógrafo Rui (o brasileiro Juliano Cazarré), descoberto pela namorada dele, Laura (a brasileira Maria Flor). Ao tentar retornar para o Brasil, Laura conhece no avião o pai alcóolatra (Anthony Hopkins) que busca a filha desaparecida. Após nevasca em Denver, Laura conhece um estuprador recém-colocado em liberdade (Ben Foster). São tantos os personagens e ações interconectadas desta "vida em trânsito", como definiu Morgan, que ficamos estarrecidos, buscando o sentido deste mundo globalizado, multicultural e ao mesmo tempo tão solitário.

(Texto publicado originalmente no Correio do Povo)

Um comentário:

Um Lugar Chamado 'Nothing is real' disse...

Assisti, mas, confesso que não me agradou tanto quanto achei que agradaria.